Brasília, 26 (AE) - O chefe do departamento da Dívida Externa e Relações Internacionais do Banco Central (Derin), José Linaldo de Aguiar, disse hoje que o Banco Central está analisando a possibilidade de fazer um novo lançamento de bônus no mercado de euro ainda na primeira quinzena de novembro. Segundo ele, ainda não há nada definido sobre o assunto, mas uma emissão de bônus no mercado de euro vem sendo tratada como prioridade pelo BC neste momento.
De acordo com o chefe do Derin, o objetivo da operação é formar parâmetro de taxa de juros para prazos diferenciados. Atualmente, só há no mercado de euro títulos da República de três e cinco anos. O BC trabalha com a possibilidade de que este novo bônus, a ser emitido ainda este ano, tenha prazo de sete anos. "Este seria o ideal para formação da nossa curva no mercado de euro", disse José Linaldo de Aguiar.
Esta operação, segundo ele, será, se efetivada, apenas uma troca de títulos por dinheiro e não envolverá troca de dívida. A idéia de se fazer a emissão ainda na primeira quinzena de novembro é evitar que os problemas relacionados ao bug do milênio venham deteriorar as condições de mercado a partir da segunda quinzena do mês e, com isso, dificultar a colocação desse novo papel.
Apesar deste cenário e da possibilidade de piora das condições de mercado, o chefe do Derin prefere não descartar a hipótese de o Brasil vir a fazer uma nova operação no mercado de dólar. "Não podemos descartar nada, porque se de repente o mercado não ficar tão ruim quanto se espera e surgir uma janela, quem sabe, possamos fazer", disse Aguiar.
Sobre a possibilidade de o Brasil voltar ao mercado de ienes, ele comentou que, se isso ocorrer, será apenas a partir do ano 2000. Segundo José Linaldo de Aguiar, as informações repassadas ao BC por instituições financeiras indicam ainda uma certa incerteza sobre o grau de recuperação da economia japonesa.
Reservas - José Linaldo de Aguiar informou também que o Brasil só deverá receber na próxima semana os US$ 520 milhões em títulos do Tesouro norte-americano que estão depositados como garantias no BIS.
Segundo ele, a liberação das garantias, permitida pela operação de troca de dívida realizada na semana passada, leverá de sete a oito dias para ser efetivamente concretizada. "Existe uma burocracia e as garantias só devem estar efetivamente nas reservas internacionais dentro de sete a oito dias", disse o chefe do Derin.

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