BC estima inflação de 6,3% para este ano
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Vânia Cristino 
Brasília, 31 (AE) - O Banco Central trabalha com a expectativa de inflação de 6,3% para o ano 2000, um pouco acima da meta de 6% fixada para este ano. A nova previsão, divulgada hoje pelo Banco Central no novo relatório trimestral de inflação
é 0,5 ponto percentual maior que a estimativa constante do relatório de dezembro, que previa uma inflação de 5,8% para o acumulado do ano. Também mudou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que passou a ser de 3,7% ao invés dos 3,5% previstos anteriormente.
Segundo o BC a nova projeção de inflação acumulada para o ano já contempla o impacto do aumento do salário mínimo e o reajuste dos preços administrados, cuja previsão de aumento também foi alterada no relatório, passando de 9,2% para 11,2%. O Banco Central também demonstrou preocupação com a incerteza do cenário internacional, com foco na possibilidade de uma desaceleração brusca do crescimento da economia dos Estados Unidos e com o preço internacional do petróleo, que continuou subindo mais do que se antecipava em dezembro.
Outro fator classificado como de "potencial risco para a gerência fiscal" foi a eleição municipal. O BC recomendou que a cautela quando à restrição orçamentária deve ser redobrada em ano eleitoral, sob pena de anular os ganhos de credibilidade obtidos com o esforço fiscal em 1999.
"As contas públicas requerem atenção e monitoramento constante" avisa o relatório do BC. Para o Banco Central a política fiscal, que teve um papel fundamental no controle da inflação e na recuperação da economia ao longo de 1999 deverá continuar a ser um dos pilares da estabilidade econômica neste ano.
Na previsão de inflação para 2000, o BC trabalha com a trajetória de queda acentuada no primeiro trimestre do ano, seguida de dois trimestres de elevação. O BC atribuiu o comportamento de queda do primeiro trimestre aos preços do setor agrícola, refletindo o início da colheita da safra de grãos e a gradual regularização da oferta de proteínas animais. Já a elevação prevista para o segundo e terceiro trimestres leva em conta a concentração dos reajustes dos preços administrados e do salário mínimo, com forte impacto no desequilíbrio estrutural da Previdência Social.
"O fato é que qualquer reajuste do valor do salário mínimo agrava o quadro de desajuste já existente, com implicações sobre a evolução do déficit público e suas consequências", diz o relatório. Pelos cálculos do BC, tomando como base um salário mínimo de R$ 150,00, o impacto direto na inflação seria de 0,3 ponto percentual. Já a elevação média dos preços administrados, que o BC estimou em 11,2% durante o ano, significaria um impacto direito de 2,6 pontos percentuais na variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), correspondente a uma contribuição marginal de 1,8 ponto percentual na inflação anual.
Para 2001, o BC diz no relatório que a trajetória esperada é de inflação em queda ao longo do ano, rumo a 3,3%. Embora caminhe para ficar abaixo da meta estipulada, que é de uma inflação de 4% no próximo ano, o relatório do BC analisa que o declínio contínuo antes previsto não se mantêm na nova projeção em virtude da inflação estimada para o primeiro trimestre do próximo ano ser agora ligeiramente superior à que ocorrerá no mesmo período deste ano. "Isso gerará um salto temporário na inflação acumulada, facilmente perceptível no atual leque de inflação", diz o relatório.


