Brasília, 24 (AE) - O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, disse hoje que a autoridade monetária analisará "caso a caso" as propostas de bancos estrangeiros interessados em entrar ou ampliar presença no mercado nacional. "Esta é uma análise que temos de fazer caso a caso", disse ele, durante almoço promovido pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon).
Em defesa da concorrência promovida pelo ingresso dos estrangeiros, o diretor do BC comentou que a participação dos mesmos no mercado brasileiro tende a provocar uma redução no spread bancário. "Isto ainda não ocorreu, mas poderá ocorrer", disse.
O Banco Central vem estudando procedimentos para disciplinar a entrada de novos bancos estrangeiros no País. Uma das idéias é exigir a participação dos estrangeiros em leilões de bancos estaduais, que não têm opção de comprador no mercado interno. Não se pretende estabelecer uma regra, mas aproveitar o interesse externo no mercado brasileiro e obter vantagens para o País.
Juros - Freitas disse aos economistas que a taxa Selic de 19%, confirmada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), não pode ser vista como piso dos juros. Segundo o diretor, é um equívoco fazer qualquer comparação com o cenário vivido no período posterior ao da crise asiática, em que a taxa de juros básica da economia chegou a 20%. "Não se pode fazer esta comparação porque o regime cambial na época era diferente", argumentou. "Hoje nós temos um câmbio flutuante", ponderou.
O diretor do BC se mostrou otimista quanto às perspectivas para a economia brasileira neste ano e ainda para primeira década do século 21. Ele disse que, neste ano, completado o processo de transição para um regime cambial flutuante, a economia deve crescer mais e com uma inflação reduzida.
O otimismo manifestado pelo diretor sobre os rumos da economia neste ano e na primeira década do século XXI está baseado em três fatores. O primeiro, é o fato de a conjuntura internacional estar favorável ao Brasil. Os outros fatores, segundo Freitas, são o esforço de ajuste fiscal desenvolvido pelo setor público como um todo e a cautela com que a autoridade monetária vem calibrando a taxa de juros. Com base nestas premissas, ele previu que a economia deverá crescer mais neste ano e ainda conviverá com uma baixa taxa de inflação. "Esta é a novidade: crescimento com estabilidade", disse ele.

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