BC divulga nota explicativa sobre reunião do Copom
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Nélia Marquez 
Brasília, 20 (AE) - O Banco Central divulgou hoje a nota explicativa sobre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em 4 de março, cuja decisão apontou para a elevação da taxa Selic para 45% ao ano, com a introdução de um viés de redução, além da extinção da Tban e TBC. "O nível de taxa de juros tinha que ser suficientemente alto para fazer frente às pressões inflacionárias existentes", afirma a nota do BC. Essas pressões, de acordo com a nota, são de origem cambial. O viés de baixa da taxa de juros teve como justificativa, de acordo com a nota, no fato de o problema inflacionário de curto prazo ter como origem a excessiva desvalorização cambial.
"Assim, na presença de sinais evidentes de retorno sustentado da taxa de câmbio em níveis mais realistas, não seria mais justificada a manutenção de juros nominais tão elevados", define a nota. Ao divulgar esta nota, o BC mudou a sistemática de divulgação: foi reduzido o prazo de defasagem entre as reuniões. Até o mês passado, essa defasagem era de três reuniões. Agora a defasagem será de apenas duas. A última reunião do Copom foi realizada na quarta-feira passada, dia 14, quando os juros foram reduzidos para 34%.
O cenário em que foi decidida a elevação da taxa Selic para 45% e extinção da Tban e TBC indicava "sinais inequívocos de alta da inflação". A taxa de desemprego de janeiro, por sua vez, tinha ficado abaixo dos dois dígitos esperados (7,73%) e os indicadores do nível de atividade não evidenciavam desaceleração profunda da produção. As informações constam da nota explicativa sobre a reunião do comitê de Política Monetária (Copom) divulgada pelo Banco Central. Outro fator que, segundo a nota, levou o Banco Central a optar por juros mais elevados foi o comportamento da base monetária que, no final de fevereiro, não tinha retornado aos seus níveis históricos, mantendo o mesmo patamar de dezembro.
Naquele mês (dezembro) a base monetária é tradicionalmente elevada em função do aumento do volume de negócios por conta d as festas de final do ano e pagamento do 13º salário. No caso da inflação, as projeções apresentadas durante a reunião indicavam para março um comportamento de alta tanto para o IGP-M como para os índices de preços ao consumidor. A nota aponta a desvalorização do real como causa básica da inflação e mostra que os preços dos produtos importados e exportados foram os que mais subiram no período. Por conta disso
o índice de preços no atacado, que contém muitos produtos comercialiáveis e preços diretamente influenciados pelo valor do dólar, subiu muito mais que os de preços ao consumidor.


