BC divulga na próxima semana instruções para identificação de notas falsas
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 27 (AE) - O Banco Central (BC) vai divulgar na próxima semana instruções para a população identificar notas falsas, em página da Internet (www.bcb.gov.br). Em uma semana, o banco computou três casos de notas falsas achadas em caixas eletrônicos. De janeiro a março, foram apreendidas 100 mil cédulas falsas, mais de um terço do total registrado pelo BC em 1998 - 285.884. Ao todo, as notas falsas de 1998 somaram R$ 7,9 milhões, o que é pouco, segundo o banco. Isso porque, em dezembro, havia, no País, 1,49 bilhão de notas verdadeiras, que representavam R$ 23 bilhões. Em 1997, foram achadas 219.847 cédulas falsificadas, num total de R$ 7,4 milhões.
Um surto de dinheiro falso. Assim o diretor do Departamento de Meio Circulante do BC, José dos Santos Barbosa, classificou o aparecimento de cédulas falsificadas nos caixas eletrônicos do Rio e de São Paulo. "Não há um derrame", disse.
A explicação para o número de notas falsificadas ter aumentado sem que o valor sofresse um crescimento proporcional é o fato de os falsários não terem mais notas de grande valor - 50 e 100 reais - como alvo principal. Em 1996, 61 mil cédulas de 100 reais foram apreendidas. Em 1998, o volume caiu para 16 mil. Hoje, os criminosos preferem fazer notas de 10 reais - 58% do total achado em 1998. O dinheiro falso chega ao BC em apreensões da polícia e dos bancos, em meio ao dinheiro enviado diariamente pelas instituições bancárias.
"O Banco Central controla o dinheiro antes de devolver aos bancos o que nos foi mandado", disse Santos. São verificadas a autenticidade e a conservação das cédulas. Segundo ele, os bancos têm as responsabilidades de alimentar os caixas eletrônicos e controlar o dinheiro posto nas máquinas que mantém.
Para ele, uma cédula falsa pode driblar a vigilância dos bancos quando o falsário usa papel-moeda - uma nota de 1 real é lavada e nela se imprime uma de 50 reais. A falsificação da nota
não- detectada pelas máquinas, também pode não ser notada pelo funcionário responsável pela contagem, ao tateá-la.
Para a Federação Brasileira das Associações dos Bancos (Febraban) ainda não é necessário rever os procedimentos de controle do dinheiro distribuído nos caixas - a instituição considera os casos recentes como "fatos isolados". Na última ocorrência, sábado (22), o conferente Eduardo Vieira da Silva sacou 200 reais em notas de 50 reais numa unidade do Banco 24 Horas, na capital. Silva só percebeu que uma das notas era falsa quando ela foi recusada numa padaria. As notas de 50 reais representam 31% das falsificadas em 1998.
A empresa Tecnologia Bancária (Tecban), responsável pela administração do sistema 24 horas, informou não ter controle sobre o dinheiro que abastece os caixas, pois ele vem das 55 instituições associadas ao sistema. "Ainda estamos pensando nas providências que podemos tomar", disse o superintendente de Marketing da Tecban, Rogério Penteado Proença.
Caso o consumidor ache uma nota falsa num caixa do Banco 24 horas, ele deve, segundo a Tecban, registrar o caso na polícia e aguardar 48 horas para a empresa confirmar as informações e efetuar o reembolso. Já, segundo a Febraban, como não há regra comum da entidade para esse caso, é preciso procurar o banco para saber o que fazer.
Para o delegado da Polícia Civil de São Paulo Manoel Camassa, especialista em moeda falsa, de qualquer forma, o caso deve ser registrado na polícia. Camassa e o diretor do BC acreditam que, se o brasileiro tivesse o hábito de verificar a nota que recebe, a maioria das falsificações não ocorreria. "Quase 60% das cédulas falsas não têm marca-dágua, o que facilmente pode ser visto", disse Santos.


