Brasília, 04 (AE) - O Banco Central confirmou hoje o sumiço do dossiê sobre as fraudes no Banco Nacional e, oito horas depois, informou ter achado o processo na 4ª Vara da Justiça Federal, em Brasília. Em maio de 1998, atendendo a um pedido da juíza Selene Maria de Almeida, o BC enviou para a Justiça os 33 volumes, com 4.966 páginas, referentes à parte administrativa do processo.
Ou seja, a que deveria ser apurada e concluída pelo próprio BC. Esqueceu e há vinte dias vinha procurando o dossiê na sede da instituição.
De acordo com o procurador-chefe do Banco Central, José Coelho Ferreira, um telefonema da diretora da secretaria da 4ª Vara, Sônia Maria Paulino, no início da noite, confirmou que o processo está na Justiça. Ainda amanhã, segundo Coelho, o BC vai requerer a devolução do documento para dar continuidade ao seu andamento.
Em 1995, o Banco Central impôs um regime de administração especial temporária (Raet) ao Banco Nacional depois de detectar uma contabilidade paralela na instituição. Sob este regime, o banco pôde continuar aberto enquanto os seus ativos foram separados.
A parte destes ativos considerada boa foi vendida ao Unibanco enquanto o chamado "banco ruim" ficou sob a administração do BC. Um ano depois, o banco ruim foi liquidado.
O processo que foi dado como desaparecido é o administrativo e tem como objetivo apurar qual a participação de ex-controladores e ex-administradores nas fraudes que somaram R$ 5,3 bilhões.
Tão logo este processo retorne ao BC, o passo seguinte será a decisão sobre quais penas serão impostas a um ex-controlador e dois ex-administradores do Nacional.
Segundo uma fonte do Banco Central, o ex-controlador é Marcos Magalhães Pinto, e um dos ex-administradores é Clarimundo Sant´Anna, considerado o mentor de 652 contas fantasmas que resultaram nas fraudes. De acordo com esta fonte, eles deverão ser penalizados com inabilitação para o exercício de cargo no mercado financeiro.
No final da manhã de hoje, o diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais, Carlos Eduardo de Freitas, e de Fiscalização, Tereza Grossi, chegaram a dar entrevista explicando que o sumiço do dossiê havia sido detectado há 20 dias.
Desde 98, no entanto, o Banco Central não mexe no processo que tem data de prescrição em 30 de junho. Mas esta data só seria válida, de acordo com Coelho se, ao longo de três anos, o BC deixasse o processo totalmente parado.
De acordo com o diretor de Finanças Públicas, a falta do documento só foi sentida por causa de uma avaliação feita no Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros e Cambiais (Decif) sobre quais processos tinham data de prescrição no curto prazo.
Freitas garantiu, no entanto, que o sumiço da parte administrativa não prejudicaria o andamento do processo criminal que já enviado ao Ministério Público.
Ao longo das oito horas que demorou para confirmar a localização do processo, o BC promoveu um festival de informações desencontradas. Primeiro divulgou o sumiço e duas horas depois disse que tinha achado.
Mais meia hora e voltou atrás. Finalmente, recebeu o telefonema da diretora da secretaria da 4ª Vara da Justiça às 19 horas e confirmou ter achado os 33 volumes do processo.

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