Brasília, 14 (AE) - O Banco Central confirmou hoje que o ex-controlador do Banco Marka Salvatore Cacciola aplicava recursos em fundos exclusivos para investimentos estrangeiros no país e que remeteu recursos para o exterior. Não foi informado pelo BC, no entanto, o valor da remessa que, até agora, não voltou ao Brasil.
Segundo explicações da assessoria de imprensa do BC, os recursos eram do Marka Bank, instituição também controlada por Cacciola e localizada nas Bahamas. Numa primeira operação, o dinheiro foi aplicado em um fundo denominado Inovation e do qual o Marka Bank era cotista. O Inovation era administrado por outra instituição, não informada pelo BC, mas também localizada nas Bahamas.
De acordo com o BC, o próprio Inovation aplicou o dinheiro em um segundo fundo. Desta vez, no Brasil, e administrado pelo Banco Stock Máxima. Nesta operação de aplicação no país, os recursos ingressaram como se fossem de um estrangeiro e foram investidos nos fundos de renda fixa-capital estrangeiro.
O BC não sabe detalhes mas confirma que, depois disso, os recursos foram sacados do fundo no Brasil e devolvidos ao Inovation e, desde então, permanecem aplicados no exterior. Ainda segundo o BC, não há informações se Marka Bank era o único cotista do Inovation e se o dinheiro continua neste fundo. Fontes do próprio Banco Central, entretanto, afirmaram que, até agora, não foi possível saber se os recursos enviados para o exterior foram destinados a pagamentos de credores, aos cotistas de fundos ou para o próprio Cacciola. Neste último caso, o temor é que os recursos remetidos ao exterior tenham saído do próprio Banco Central. Ou seja, na operação em que socorreu o Marka, o BC tenha colocado mais dinheiro na instituição que o necessário porque a remessa ao exterior já havia sido feita.
A alegação do Banco Central para não ter maiores informações sobre a operação é que as Bahamas são um paraíso fiscal com quem o Brasil não tem qualquer acordo. Por isso, seria impossível rastrear a remessa. Na tentativa de destrinchar todos os passos da operação, segundo as fontes, o BC está fazendo uma ampla checagem do balanço do Marka. E somente agora, verificando as possibilidades de pedir o bloqueio dos bens pessoais de Cacciola.
Ainda de acordo com estas fontes, para conseguir o bloqueio, o Banco Central terá que recorrer à Justiça. Somente com autorização de um juiz o BC poderá obter o bloqueio. "Teremos que provar a um juiz uma fraude grave, como um prejuízo a terceiros, para que ele possa nos dar uma decisão favorável", disse a fonte.

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