BC chileno ameaça elevar juros se a inflação superar metas
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Goitia (assinatura obrigatória) 
São Paulo, 10 (AE) - O aumento do preço dos combustíveis e de tarifas públicas, como as do transporte e água potável, determinados ao final do mês passado, podem prejudicar a meta inflacionária do Chile e fazer com que o Banco Central aumente as taxas de juros.
Embora o IPC (índice oficial de inflação) tenha ficado no limite inferior em janeiro, as projeções do Banco Central mostram que mata de 3,5% para este ano pode ser ultrapassada. O IPC este mês, por exemplo, pode chegar a 0,6%, acima dos 0,4 estimados, e a de março ficar em 0,9%, também por cima dos 0,7% inicialmente previstos.
Até agora, os principais impactos no IPC deste mês viriam da alta do preço dos transportes metroviário e ônibus. O BC chileno advertiu que, se a meta inflacionária correr o risco de não ser cumprida, aumentará as taxas de juros, hoje em 5,25%.
Os dados do relatório quinzenal do BC chileno mostram ainda que a dívida externa do país até o dia 31 de dezembro do ano passado chegou a US$ 33,98 bilhões, ou US$ 2,29 bilhões a mais em relação à do ano anterior. Desse total, 82,9% correspondem a dívidas de médio e longo prazos do setor privado.
Ainda de acordo com o BC, as reservas internacionais do país em janeiro alcançaram US$ 14,238 bilhões, já considerando a queda de US$ 471 milhões verificada em janeiro. Essa perda foi provocada, segundo o BC, por causa da retração nos depósitos de curto prazo mantidos pelo sistema financeiro no Banco Central.
Já o déficit em conta corrente caiu de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1998, para apenas 0,1% do PIB no ano passado. O saldo negativo foi de apenas US$ 78 milhões. Com isso
o déficit do balanço de pagamentos ficou em US$ 683 milhões. Para este ano, a previsão da conta corrente do país é de um déficit de 2% do PIB.
O bom resultado nas contas do país no ano passado foi atribuído ao aumento das exportações, principalmente aos Estados Unidos, o que permitiu compensar a queda das vedas externas aos países latino-americanos. A balança comercial passou, por exemplo, de um déficit de US$ 2,52 bilhões, em 1998, para um superávit de US$ 1,66 bilhão no ano passado. Segundo o BC, houve uma queda de 20% nas importações em decorrência da contração da demanda interna e da recessão econômica. Nos primeiros 15 dias de janeiro deste ano, as exportações chilenas mantiveram seu ritmo de alta e cresceram 26%, para US$ 810 milhões, enquanto que as importações aumentaram apenas 1,2%, chegando a US$ 657 milhões.
Finalmente, o relatório quinzenal do BC chileno mostra que o tipo de câmbio real no ano passado mostrou alta de 10,9%, em relação ao ano anterior, quando apresentou uma variação de 2,8%. Já o tipo de câmbio nominal em 1999 aumentou 11,8%, ante os 2,3% do índice de preços ao consumidor, a taxa mais baixa de inflação nos últimos 61 anos.


