BC capta US$ 1 bilhão em novo lançamento no mercado global
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Vânia Cristino 
Brasília, 19 (AE) - O Banco Central captou hoje US$ 1 bilhão no mercado global. Os títulos, denominados em dólar, tem prazo de 20 anos. A emissão foi feita ao preço de 96,394% com spread de 650 pontos base acima do título do tesouro americano de prazo equivalente. O cupom foi de 12,75% ao ano, resultando numa taxa de retorno para o investidor de 13,27% ao ano.
Segundo o diretor para Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, o País conseguiu captar, em apenas três semanas, praticamente a metade dos recursos que necessita para rolar todas as obrigações do setor público que vencem este ano. A necessidade de financiamento do setor público em 2000 é de US$ 3,85 bilhões. Na semana passada o Brasil captou 750 milhões em euros. Os recursos da nova captação entram no País no próximo dia 26.
Para Gleizer o lançamento, com sucesso, dos títulos em dólar, dá tranquilidade ao País. "Estamos sendo capazes de captar, rapidamente, o que precisamos", disse o diretor, acrescentando que a demanda pelo papel chegava ao dobro, ou seja
US$ 2 bilhões, incluindo os investidores que queriam trocar os bradies pelos novos títulos, o que não foi permitido desta vez.
Para Gleizer a enorme demanda pelo título brasileiro, associado à mudança de perfil do investidor - o diretor destacou que a emissão dos papéis contou com a participação de muitos investidores novos, que tradicionalmente não compravam papéis do País - demonstra que o Brasil está conseguindo fazer o dever de casa. Entre os novos investidores Gleizer destacou os institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, que geralmente compram o papel para guardar em carteira.
A percepção de que o País está conseguindo mudar a sua imagem no exterior, segundo o diretor, pode ser traduzida pelo spread das operações, que vem caindo de uma emissão para outra. "Nosso spread tem caído mais rápido do que o de outros países"
disse. Embora admitindo que a opção de reabrir a emissão existe
Gleizer afirmou que é prematura essa avaliação e que o País pode muito bem optar por um novo lançamento, com outras características e voltado para outros investidores. "Temos que vender bem os papéis da República e garantir que a compra é um bom negócio para o investidor".


