BC autoriza venda externa em consignação
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 04 (AE) - As empresas exportadoras já não precisam encontrar compradores para poder embarcar suas mercadorias para o exterior. Desde sexta-feira, estão autorizadas a oferecer produtos em consignação a representantes estrangeiros. Isso significa que poderão utilizar o recurso da pronta entrega para concorrer em outros mercados, assim como costumam fazer com alguma vantagem no Brasil.
A inovação, autorizada pelo Banco Central (BC), precisa ser regulamentada, mas a instituição decidiu recomendar à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) que receba os pedidos de embarque "de forma excepcional" para que essa proposta, feita pela Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), seja testada e colocada em prática, antes de vencidos os obstáculos burocráticos.
A aprovação do BC significa, na prática, que as exportações em consignação poderão ser financiadas por 360 dias por meio das operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) que, depois de negociadas com o cliente estrangeiro, serão transformadas em operações de Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), o que estenderá o crédito por mais 90 dias.
O vice-presidente da AEB, Giulio Lattes, autor do projeto, disse que os países asiáticos utilizam com frequência o recurso das exportações em consignação. Segundo Lattes, mercadoria à mão vale mais.
O Banco Central mostrou-se sensível à argumentação da AEB ao permitir a liquidação futura dos contratos de câmbio como se as exportações fossem feitas nos moldes tradicionais, disse Lattes. Segundo afirmou, a possibilidade de participar do comercio exterior por esse sistema deverá ajudar a melhor a rentabilidade das exportações. "O bom desempenho do comércio exterior depende de criatividade", disse.


