BC anuncia redução do piso das reservas internacionais em US$ 2 bilhões
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 28 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou hoje que nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluídas no final de semana acertou-se a redução em US$ 2 bilhões no piso das reservas internacionais líquidas (não consideram recursos do pacote do próprio Fundo e do BIS (Banco para Compensações Internacionais). Com isso, o BC conseguiu aumentar na mesma proporção o seu poder de fogo para combater grandes oscilações do dólar no mercado.
Fraga confirmou que a mudança no piso das reservas líquidas foi proposta ao FMI porque o governo brasileiro estava preocupado com a inflação. Segundo ele, até agora o aumento do câmbio não comprometeu a meta de inflação de 8% para este ano. Mas destacou ser "razoável" pensar que a desvalorização continuada do real poderia ameaçar as metas no futuro. A mudança no piso das reservas líquidas, segundo o presidente do BC, "é uma resposta a esta preocupação".
Embora estes novos pisos de reservas líquidas ainda dependam de aprovação pela diretoria do Fundo, o que deverá ocorrer somente no dia 29 de novembro, o presidente do BC disse que eles já valem a partir do dia 1°. "Nossa expectativa é que a mudança seja sancionada pela diretoria", afirmou Fraga. Em novembro, quando o governo prevê que fechará o mês com reservas de US$ 25,17 bilhões, o volume de dólar que o BC pode vender no mercado de câmbio será de US$ 4,18 bilhões, pois o piso das reservas líquidas é de US$ 20,99 bilhões.
Irrigar - Outras duas medidas também foram divulgadas hoje pelo governo para irrigar o mercado de câmbio que, segundo Fraga, esteve "seco" nas últimas seis semanas. Horas depois de o BC divulgar uma nova captação de recursos no mercado europeu no valor de US$ 525 milhões, o Conselho Monetário Nacional (CMN) acabou com o limite de posição de câmbio vendida das instituições financeiras, o que deverá gerar uma maior disponibilidade de dólar no mercado.
Além da atuação do governo, o Senado Federal contribuiu para pacificar o mercado cambial com a aprovação do empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (Bird) no valor US$ 2,2 bilhões. Deste total, US$ 1,1 bilhão ingressa no País em novembro e o restante no próximo ano. O impacto do anúncio das medidas no mercado foi imediato e o dólar recuou, passando de R$ 1,9890, como havia fechado na quarta-feira, para R$ 1,9740 ao final da tarde de hoje. Uma queda de 0,75%.
Com mais munição, o BC poderá sair da posição passiva ante as flutuações da moeda americana que vinha adotando até a última quarta-feira. Naquele dia e depois de dois meses de mantendo os braços cruzados, o BC voltou a intervir no mercado de câmbio quando a cotação da moeda americana bateu em R$ 2,003. Na semana passada, mesmo com o dólar tendo rompido a barreira dos R$ 2,000 e chegado até a R$ 2,005, o BC não atuou. Apesar disso, o diretor de Política Monetária da instituição, Luiz Fernando Figueiredo, garantiu hoje que "havia espaço para intervir" mesmo antes da negociação com o Fundo para a mudança no piso das reservas líquidas.
Ele disse que os pisos estimados até março do próximo ano e que foram divulgados hoje pelo BC não prevêem qualquer nova captação do País no exterior. Figueiredo garantiu que, mesmo com a atual retração do mercado internacional, novos lançamentos poderão ser feitos até o final do ano. Tanto para captação quanto para a troca de dívida externa. Os recursos que forem captados serão somados ao poderio do BC para intervir no mercado cambial.
Para Fraga, o nervosismo do mercado das últimas semanas e, especificamente na quarta-feira, foram devido a pressões sazonais que, segundo ele, estão acabando. Estas pressões, de acordo com o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, que acompanhou Fraga e Figueiredo na entrevista, foram decorrentes principalmente das necessidades de pagamento da dívida externa do governo. Segundo o presidente do BC, em dezembro os compromissos do setor público no exterior também são altos. De acordo com tabela divulgada hoje, os pagamentos da dívida externa pública no último mês do ano vão chegar a US$ 1,8 bilhão. A diferença é que o Banco Central poderá ser mais ativo no combate às pressões na cotação do dólar.


