Brasília, 17 (AE) - O Banco Central (BC) anunciou hoje a primeira modificação na estrutura das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) desde a criação do órgão, em 20 de junho de 1996. De acordo com a Assessoria de Imprensa do BC, o Copom passará, a partir de amanhã (18), a se reunir por dois dias seguidos. O primeiro dia será dedicado integralmente a discussões sobre a conjuntura macroeconômica do País e à análise de cenários de inflação traçados pelo Departamento de Pesquisa Econômica do BC. "Não será discutido nada sobre taxa de juros neste dia", explicou hoje a Assessoria de Imprensa do BC. No segundo dia, os integrantes do Copom voltam a se reunir com o intuito de definir a taxa de juros.
O novo modelo de reuniões, segundo a Assessoria de Imprensa do BC, é semelhante ao adotado pelo Federal Reserve (FED) e pelo Banco da Inglaterra. A idéia principal é dar aos integrantes do Copom mais poder de análise para tomar a decisão sobres juros e aumentar o tempo de reflexão dos dirigentes do BC. O BC também quis, com esta mudança, encurtar o tempo de duração das reuniões do Copom, que estavam se prologando durante a noite nos últimos encontros. "As reuniões estavam ficando muito longas", disse a Assessoria de Imprensa do BC.
Outra modificação feita pelo BC foi na estrutura do Copom. O secretário-executivo do Copom, Alexandre Pundek, está deixando o cargo e será substituído pelo chefe da Mesa de Operações do Mercado Aberto do BC, Sergio Goldstein. Pundek, que prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos na Câmara sobre a operação de ajuda ao Banco Marka, passará a trabalhar como assessor do diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer. Na nova função, Pundek ficará responsável por manter contatos com investidores estrangeiros.
Apesar da modificação no formato das reuniões do Copom, a meta para a taxa Selic continuará sendo anunciada somente após o fechamento do mercado. "Isto não mudará", disse uma fonte da área econômica do governo. O BC, com isto, abre espaço para que o mercado absorva a decisão do Copom e começe a trabalhar no outro dia, tendo em conta a informação sobre o balizamento da taxa de juros feita pelo BC. A primeira reunião do Copom no novo modelo será sucedida por uma outra novidade no mercado, que participará na quinta-feira (20) do primeiro leilão de títulos do Tesouro Nacional, com proposta firme de compra.
Os leilões com proposta firme de compra de títulos visam a fazer com que o Tesouro Nacional tenha espaço para atender demandas específicas do mercado por papéis com perfis diferenciados dos comprados pelo mercado nas colocações semanais feitas pelo BC em nome do Tesouro. No leilão de quinta e sexta-feira (21), o Tesouro ofertará ao mercado Letras do Tesouro Nacional de 373 dias. O montante a ser posto em mercado dependerá da demanda do mercado por este papel emitido pelo Tesouro Nacional. O leilão será realizado em dois dias para que
no primeiro, os dealers do BC no mercado aberto tenham espaço garantido de apresentação de propostas firme de compra. No segundo, será aberta a participação no leilão aos demais integrantes do mercado.

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