Brasília, 13 (AE) - O governo vai apresentar, na abertura dos trabalhos da CPI do Sistema Financeiro, informações que envolvem a quebra do sigilo bancário de instituições financeiras. Os dados constam do relatório em preparação pelo Banco Central. Uma fonte do BC garantiu que isso pode ser feito no âmbito da Comissão, que tem poderes para tal. O ponto central do relatório será a operação de salvamento do Banco Marka.
Segundo a fonte do BC, a operação de ajuda ao Marka tem que ser vista considerando o momento em que ocorreu: logo após o alargamento da banda cambial, que o BC tinha o dever de defender o sistema de bandas. "O que se procurava evitar era o pior, ou seja, o fim da banda, o que acabou ocorrendo", argumentou a fonte, explicando que esse era o risco sistêmico que, até agora, era entendido como sendo o risco de uma quebradeira no sistema financeiro.
Consciente de que os parlamentares cobrarão a questão do vazamento de informações privilegiadas para o mercado, o governo também assegurará, na CPI, a divulgação dos resultados da investigação interna, montada pelo Banco Central, para apurar a participação de funcionários públicos no esquema. "Se houve algum problema e se alguém cometeu algum crime a punição virá, independentemente do cargo que ocupa", disse um alto funcionário do governo.
O governo admitiu que é difícil prever as consequências de uma CPI. A preocupação maior, segundo uma fonte qualificada, é que a investigação do Senado não se transforme num evento político que dificulte a condução da economia. Há um medo do desconhecido", reconheceu a fonte. Ele lembrou, no entanto, que para os investidores estrangeiros a preocupação central é com a política fiscal e que ela já está dada para os próximos três anos. Para não deixar dúvidas na CPI, a estratégia do governo, além de fornecer as explicações possíveis, será a de mostrar que está tomando providências para evitar que fatos semelhantes aos que ocorreram com o banco Marka e Fonte Cindam se repitam no mercado. Os dois bancos estavam super expostos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com posições em câmbio várias vezes superiores aos seu capital.
Segundo a fonte, o BC está estudando o aumento de capital das instituições financeiras para que elas possam suportar o risco de mercado. "O BC precisa desenvolver mecanismos prudenciais que evitem a tomada de posição, por parte do sistema financeiro, acima da capacidade de cada instituição." Para isso
o BC deixará de lado o modelo que avalia o risco da instituição apenas pelas suas operações ativas (créditos), passando a levar em conta também as posições de câmbio, juro e prazo de cada instituição.

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