BC adota medidas para irrigar mercado de câmbio no final do ano
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 01 (AE) - O Banco Central adotou hoje duas medidas para garantir maior disponibilidade de dólares no mercado no final do ano e evitar oscilações na cotação da moeda americana. Na primeira medida, o BC anunciou para sexta-feira um leilão-casado de US$ 800 milhões. As instituições que participarem do leilão vão se comprometer a comprar os dólares antes da virada do ano e, depois, revendê-los ao BC. "É uma operação combinada", anunciou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. "Não vamos aceitar apenas uma perna desta operação".
A outra medida reduziu de 50% para zero o peso das operações de câmbio no volume de empréstimos que os bancos podem fazer ao sistema. Com esta mudança, as operações cambiais não serão consideradas nos limites impostos pelo Acordo da Basiléia, que define a capacidade das instituições concederem empréstimos sem comprometer o seu patrimônio.
Estão englobadas na medida apenas as operações cambiais realizadas entre os bancos até o próximo dia 31, inclusive o estoque já existente, e com liquidação até 14 de janeiro. Segundo explicou Figueiredo, exatamente como a primeira medida, esta também tem o caráter de prover liquidez ao mercado. "Nosso objetivo é que não haja diminuição no volume de dólares na virada do ano", afirmou o diretor. Ele antecipou que ao longo deste mês o BC poderá fazer outros leilões casados. Cada banco só poderá apresentar uma proposta decidindo, ao mesmo tempo, a cotação que quer comprar os dólares e o valor que quer vender a moeda depois da passagem do ano.
Caberá ao Banco Central fazer um corte nestas propostas. Ou seja, decidir quais serão as taxas de compra e venda do leilão. Também foi colocado o limite de 20% do volume total do leilão para a participação de uma instituição. Isso significa que o máximo que um banco poderá comprar, sozinho, é US$ 160 milhões. A liquidação das operações de venda será no dia 29. Ou seja, nesta data o BC entrega os dólares aos bancos. No dia 5 de janeiro serão concluídas as operações de compra. Neste dia, os bancos devolverão os dólares ao BC e receberão os reais. Ao meio-dia de sexta-feira o Banco Central vai informar ao sistema financeiro as propostas que foram aceitas.
Mesmo confirmando que o BC fez uma nova intervenção no mercado hoje, o diretor não quis comentar se as medidas baixadas possam ter efeito nas intervenções. Ou seja, se a partir das mudanças permitidas para o final do ano o BC não terá necessidade de intervir no mercado para impedir uma volatilidade do câmbio. "A única coisa que posso dizer é que o mercado poderá estar mais tranquilo", disse o Figueiredo. Com a intervenção de hoje, a cotação do dólar caiu 0,62% e fechou a R$ 1,9120.
O diretor garantiu que o leilão de sexta-feira não terá impacto nas reservas internacionais. "As reservas caem antes da virada do ano e serão recuperadas imediatamente depois", explicou. Ele ressaltou que as medidas anunciadas hoje "têm um caráter absolutamente preventivo". E lembrou que, com a aproximação do final do ano e as preocupações com o "bug" do milênio, está havendo uma retração das linhas externas.
Segundo o diretor, uma menor oferta de linhas sempre ocorre nos últimos meses do ano mas, especificamente neste, "quando há a preocupação com o "bug" do milênio", a retração está mais forte. Por isso, destacou, o Banco Central preferiu ser preventivo. Por enquanto, Figueiredo considerou que os US$ 800 milhões a serem ofertados ao mercado na sexta "é um volume representativo".
Dealers - O Banco Central também anunciou hoje novos critérios para a seleção de "dealers". Ou seja, os bancos que operam em seu nome no mercado. Segundo anunciou Figueiredo, o BC quer uma maior agressividade dos dealers principalmente nas operações de troca de títulos da dívida mobiliária que foi anunciada em novembro. O objetivo do Banco Central para estes bancos é que eles saiam na frente de outros comprando os novos títulos que forem oferecidos pelo governo para que sejam seguidos por outras instituições.


