Brasília, 27 (AE) - No final de 1995, o Banco Central fez uma inspeção na Encol S.A. Engenharia, Comércio e Indústria e os auditores aconselharam, em seu relatório, que o Banco do Brasil considerasse os empréstimos concedidos a essa empresa como créditos em liquidação, o que levaria o banco a executar as garantias.
Mas, ao contrário, o BB continuou emprestando à Encol até o final de 1997. Pouco depois, a empresa entrou em concordata. Os integrantes da CPI dos Bancos tomaram conhecimento hoje da existência do relatório de inspeção e querem saber porque a direção do banco estatal não seguiu o conselho dado pelo BC.
A informação sobre a inspeção do Banco Central na Encol está no relatório da auditoria especial que foi feita pela Secretaria de Controle Interno (Ciset) do Ministério da Fazenda. O relatório chegou hoje à CPI dos Bancos.
O objetivo dessa auditoria especial foi emitir um parecer conclusivo sobre as divergências entre o laudo da auditoria interna do BB sobre os empréstimos à Encol e o relatório do Conselho Fiscal da instituição sobre as mesmas operações.
Os auditores da Fazenda deram razão à auditoria interna do BB, que apontou toda sorte de irregularidades na concessão de crédito à Encol - empresa que já teve decretada sua falência pela Justiça e seu ex-controlador, Pedro Paulo de Souza, está ameaçado de prisão.
O caso Encol é o oitavo item do requerimento que deu origem à CPI dos Bancos. A comissão esperava apenas o relatório do Ministério da Fazenda para começar as investigações. O relatório da Ciset do Ministério da Fazenda reforçou as suspeitas dos senadores sobre o comportamento da então diretoria do BB.
Os integrantes da Comissão querem saber porque a diretoria não seguiu o conselho do BC e porque dos 60 funcionários suspeitos de terem cometidos ilícitos, de acordo com o laudo da auditoria interna do BB que analisou as operações com a Encol, apenas 20 foram punidos. Na relação original dos suspeitos consta o nome de dois diretores da institiução, que não sofreram qualquer punição.
O prejuízo do Banco do Brasil com os empréstimos para a Encol é estimado em cerca de US$ 500 milhões por assessores da CPI. Além do prejuízo do BB existe também os prejuízos dos 42 mil clientes da Encol, que foram afetados, em maior ou menor grau, com a falência da empresa. (Colaborou Vânia Cristino)

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