São Paulo, 19 (AE) - Cerca de 2.800 correntistas do antigo Banco BMD, com saldos acima de R$ 20.000,00, receberam hoje os primeiros sinais de que poderão reaver esses recursos, bloqueados desde maio do ano passado, quando a instituição teve liquidação extra-oficial decretada pelo Banco Central. A Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Assembléia Legislativa de São Paulo esteve reunida com a equipe do Banco Central responsável pela liquidação extra-judicial do Banco BMD para tentar estabelecer um cronograma sobre o quadro de credores do banco. Eles voltarão a se reunir no dia 23 de setembro, na sede da Assembléia Legislativa, para estabelecer traçar perspectivas mais concretas.
"Esperamos que o liquidante do BMD tenha dados efetivos sobre o quadro de credores do banco, que juntaremos com informações do Ministério Público e dos controladores", disse o deputado Henrique Araújo (PT-SP), um dos integrantes da comissão que participou da reunião de hoje. O liquidante do BMD, Flávio Fernandes, no entanto, disse que é muito difícil estabelecer prazos para concluir essa lista de credores. Além desse item, também serão divulgados os ativos e passivos do banco e o balanço mais recente da instituição. Quando isso ocorrer, explicou, será possível dar início ao processo de reembolso dos correntistas.
O Fundo Garantidor de Crédito reembolsou cerca de 24 mil correntistas com valores até R$ 20 mil. Desse total, cerca de 2800 clientes tinham saldo superior a esse valor e ainda têm dinheiro a receber. Cerca de 280 credores são da corretora de valores do BMD, que não estavam cobertos pelo Fundo Garantidor e ainda não receberam nada. Os fundos do BMD foram transferidos para o Banespa.
Como ainda não se sabe o montante de ativos e passivos do banco, não é possível afirmar que os correntistas receberão tudo o que estava aplicado integralmente, disse Fernandes. Se o ativo não fizer face a 50% do passivo, por exemplo, é possível que seja pedida a falência do BMD, e aí os correntistas serão reembolsados de acordo com os valores obtidos com a massa falida do banco.
Segundo Henrique Araújo, o BMD dispõe hoje em recursos cerca de R$ 150 milhões. Os 2800 correntistas pleiteiam, segundo ele, R$ 230 milhões. Esse dinheiro, no entanto, não pode ser utilizado para reembolso desses correntistas. Por enquanto, explicou o deputado, está sendo utilizado para pagamento de despesas do banco, como pagamento de cerca de 100 funcionários que ainda trabalham para o BMD, mais despesas com aluguel, ou mesmo para o pagamento do salário do liquidante do BMD e de seus assessores.
"A melhor saída para os correntistas seria o BMD ser vendido para outro banco", afirmou Araújo. Segundo ele, há um banco estrangeiro que estaria interessado em avaliar a situação do banco, e que há dez dias funcionários do BC estariam elaborando documentos com essas informações. Flávio Fernandes não confirmou se seria um banco estrangeiro, e disse apenas que essa instituição estaria interessada nas informações sobre o BMD
não necessariamente em comprá-lo. A reunião de hoje teve ainda manifestação de alguns correntistas do BMD em frente ao prédio do Banco Central.

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