BB vai tentar recuperar crédito de R$ 200 mi dado à Encol
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 17 (AE) - O Banco do Brasil, maior credor individual da Encol, vai fazer todo o possível para recuperar a maior parte do crédito de R$ 200 milhões, concedido ao longo de anos à construtora, garantiu hoje o diretor de Crédito Geral da instituição, Édson Ferreira. De acordo com Ferreira, o Banco do Brasil já nomeou cinco advogados, especialistas em falência, para acompanhar todo o processo e exercer o direito de fiscal da massa falida.
O diretor do BB explicou que, dos R$ 200 milhões, o Banco do Brasil tem garantias reais - hipotecas de terrenos, fazendas e imóveis diversos - estimadas em R$ 174,5 milhões. São essas garantias que o BB apresentará, dentro do prazo de 20 dias determinado pelo juiz da falência, ao síndico da massa para a habilitação. Mesmo apresentando os créditos e as respectivas garantias, Édson Ferreira admitiu que o Banco do Brasil não tem condições de avaliar quanto conseguirá receber da massa falida. Na lista de preferência de pagamentos, estipulada em lei, o BB e os demais credores com garantias reais estão em sexto lugar.
Mesmo não recebendo nada, Édson Ferreira explicou que o débito da Encol não trará qualquer impacto sobre o resultado do banco. Isso porque toda a dívida, lançada como crédito de liquidação duvidosa, já foi provisionada no balanço. Pelos dados apresentados pelo diretor, o Banco do Brasil é credor de 1.697 falências e concordatas, sendo a Encol a maior delas. Segundo Édson Ferreira, o BB conseguiu recuperar R$ 31,9 milhões dos créditos concedidos à Encol, no período de fevereiro de 1995 a dezembro do ano passado.
O diretor do BB afirmou que ainda não está concluído o inquérito instaurado para apurar possível irregularidade nos créditos concedidos à Encol. Édson Ferreira explicou que a apuração, pela auditoria, já foi concluída e que os documentos estão agora sob exame do Conselho Fiscal.
Antes de serem submetidos ao presidente do banco, o processo ainda passará por uma comissão de ética de alto nível. O diretor garantiu, no entanto, que uma vez comprovada conduta irregular de qualquer um dos 62 funcionários arrolados pela auditoria, com prejuízo para o banco, a punição virá na forma do regulamento.
"O Banco do Brasil vai até à justiça contra o funcionário, mesmo que ele já esteja aposentado", garantiu. Para provar que o BB "não passa a mão na cabeça de ninguém que cometeu irregularidade", o diretor apresentou um balanço feito em 1995 sobre os inquéritos internos. De acordo com Édson Ferreira, dos 522 inquéritos instaurados por administração irregular e má conduta dos funcionários 424 foram julgados. Do julgamento resultou 201 funcionários afastados dos cargos, 78 demissões, 64 aplicações de penalidades diversas e 59 dispensas de comissão. Em cerca de 70 casos o BB entrou na justiça contra o funcionário por gestão temerária ou fraudulenta.


