Brasília, 08 (AE) - O Banco do Brasil obteve, no ano passado, lucro líquido de R$ 869,9 milhões. Esse lucro, de acordo com o diretor de Finanças da instituição, Carlos Gilberto Caetano, foi 51,6% a mais do que o resultado obtido no exercício de 1997. No segundo semestre de 1998 o lucro líquido do BB foi de R$ 454,9 milhões.
O Banco do Brasil pagará, em março, juros e dividendos a seus acionistas. Serão distribuídos R$ 127,1 milhões, o equivalente a 27,9% do lucro líquido obtido no segundo semestre. Do total, o Tesouro Nacional, acionista majoritário, receberá cerca de R$ 92 milhões.
O diretor de Finanças do BB atribuiu o bom desempenho do banco ao crescimento das receitas provenientes da intermediação financeira. O acréscimo de R$ 7,9 bilhões, segundo Caetano, foi concentrado no resultado de títulos e valores mobiliários.
Também foi importante para o resultado a ampliação da base de clientes e a redução das despesas com pessoal de 9,8% com relação ao ano de 1997, o que significou uma economia para o BB de R$ 614,6 milhões.
Nos dados apresentados pelo presidente do BB, Andrea Calabi, chamou a atenção o crescimento da inadimplência. Ela atingiu 22,8% em 1998 diante de 13,4% no ano anterior. Segundo Caetano, a elevação deve-se, basicamente, à incorporação de juros e multas sobre os créditos em atraso. "Os juros médios, no ano passado, sem contar os encargos por atraso, ficaram em 36%", declarou o diretor.
Além disso Caetano explicou que o índice elevado de inadimplência é com relação ao estoque da dívida. O Banco do Brasil tem R$ 12,1 bilhões de créditos em atraso, já lançados como créditos de liquidação duvidosa, com correspondente provisão por parte do banco.
De acordo com Caetano, parte desse crédito de liquidação duvidosa será jogado, este ano, como prejuízo pelo BB. Caetano explicou que, com essa mudança de posição, o único impacto será o fiscal, ou seja, o Banco do Brasil pagará menos Imposto de Renda. "As demais instituições financeiras já fazem isso", disse Caetano.
Ele explicou que ao colocar como prejuízo aproximadamente R$ 5 bilhões do estoque de créditos em liquidação duvidosa, o índice de inadimplência cairá para 14,6%. "O índice de inadimplência do BB é distorcido porque nós não compensávamos como prejuízo as operações de crédito em atraso, segundo a lei fiscal", ressaltou.
Segundo ele, essa posição era parte da política do banco que achava que a cobrança seria desestimulada se o BB assumisse a operação em atraso como prejuízo.

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