BB se retira do comitê de credores da Trevo
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 11 (AE) - O Banco do Brasil retirou-se do comitê de credores que negociava a reestruturação do passivo financeiro da Adubos Trevo porque a empresa não cumpriu todos os compromissos firmados no acordo de 1997. A informação foi prestada hoje pelo chefe da assessoria jurídica do Banco do Brasil no Rio Grande do Sul, Carlos Alberto de Oliveira, em resposta à ação judicial movida segunda-feira em que a companhia cobra da instituição uma indenização total por perdas e danos de R$ 251,9 milhões.
Oliveira não especificou quais os pontos do acordo de reescalonamento da dívida de R$ 106,2 milhões, assinado em dezembro de 1997, foram descumpridos pela Trevo. De acordo com ele, a situação está sendo apurada detalhadamente e as alegações serão anexadas à contestação que deverá ser encaminhada à Justiça dentro dos prazos legais, no máximo em um mês. O executivo também informou que, devido à concordata deferida à empresa, nos próximos dias o banco se habilitará aos créditos a que tem direito.
No início desta semana a Trevo ingressou em juízo cobrando indenização do BB pelo fato de a instituição ter abandonado "unilateralmente" e de forma "irresponsável" o comitê credor, em julho, forçando a empresa a solicitar concordata preventiva. Acusou ainda a instituição de não injetar capital de giro conforme previa o acordo e gerir de forma "desastrada" a companhia durante o período de intervenção.
Além disso, o rompimento do contrato e a dissolução do comitê teriam aumentado em R$ 133,5 milhões o débito original, devido à incorporação de juros e ajustes cambiais. Também teriam gerado mais R$ 105,9 milhões em "lucros cessantes", reclamou a Trevo.
O chefe jurídico do BB no Estado, entretanto, disse que o banco "não aceita a imputação de responsabilidade pela situação financeira da empresa". De acordo com ele, o comitê de dez instituições financeiras credoras foi formado para tentar "salvar" a Trevo de uma situação que "já era grave" e sua dissolução não foi provocada por uma decisão "unilateral" do banco, como alega a companhia.
Oliveira explicou que a diretoria do Banco do Brasil em Brasília ainda não foi citada na ação judicial. Ele acredita que isso ainda deve levar cerca de 10 a 15 dias e depois disso a instituição tem outros 15 dias para apresentar sua contestação.


