Brasília, 25 (AE) - Vinte dos 62 funcionários do Banco do Brasil, que participaram das operações de empréstimo para a construtora Encol, foram punidos nesta quinta-feira (25) pela diretoria do BB.
Dez funcionários perderam o cargo em comissão e os outros 10 foram advertidos, por escrito, por falhas operacionais verificadas na condução das operações.
A decisão da diretoria do BB foi comunicada hoje ao Conselho de Administração do banco, reunido em sessão extraordinária durante todo o dia. Entre os funcionários que perderam a comissão estaria o ex-presidente da Previ, Jair Bilachi, que foi gerente e superintendente do BB, em Brasília, na época em que a maioria dos empréstimos foram realizados.
Segundo informações colhidas junto a funcionários do BB, a decisão da diretoria do banco é mais branda do que a sugerida pela Comissão de Ética, que examinou os fatos apurados pela Auditoria Interna do Banco.
A Comissão de Ética teria sugerido a demissão por justa causa de alguns funcionários graduados do banco, responsáveis por parte dos empréstimos concedidos à Encol, quando a construtora já apresentava graves problemas financeiros. Os empréstimos para a Encol, que teve a falência decretada há poucos dias, causaram prejuízo de R$ 200 milhões ao BB.
Em nota distribuída no início da noite, o Banco do Brasil comunicou que o Conselho de Administração do BB decidiu contratar perícia para examinar as operações relativas às debêntures, emitidas pela Encol e adquiridas pelo banco, determinando, ainda, a realização de auditoria interna complementar nos órgãos da direção geral do BB.
Segundo explicações oficiais do Banco do Brasil é essa auditoria interna complementar que irá apurar a participação da diretoria do BB na época, nos empréstimos concedidos à Encol. Como a Auditoria Interna, já realizada, foi determinada pela direção do banco,ela vasculhou as operações num nível inferior, ou seja, a partir da superintendência do BB no Distrito Federal, não atingindo a diretoria. Nenhum diretor do banco foi punido.
Outra decisão do Conselho de Administração do BB, presidido pelo secretário executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente, foi a de solicitar a realização de uma Auditoria Especial para emitir um parecer conclusivo sobre as divergências existentes entre o laudo da Auditoria Interna e o Relatório do Conselho Fiscal. Segundo fontes do BB, que tiveram acesso aos dois relatórios, o parecer do Conselho Fiscal retira dos funcionários menos graduados do banco a responsabilidade dos empréstimos concedidos à Encol, alertando para para o fato dos empréstimos terem sido aprovados pela diretoria do BB.
O simples fato do Banco do Brasil contar com dois relatórios divergentes sobre os resultados da mesma apuração, já dá uma idéia da grande disputa interna que vem sendo travada para se chegar aos responsáveis pelo prejuízo causado à instituição. Os funcionários do BB comentam que esse não é um procedimento habitual. Geralmente existe apenas um relatório sugerindo as punições, que é acatado ou não pela diretoria do banco. Com a intromissão do Conselho Fiscal, a situação se complicou.
"O conselheiro que pediu o relatório da Comissão de Ética para dar seu parecer foi indicado pela Previ", afirmou um funcionário, lembrando que um dos principais envolvidos nas operações foi justamente o ex-presidente do fundo de pensão dos funcionários do BB.
O Conselho de Administração do BB ainda recomendou à diretoria do banco que adote as medidas jurídicas cabíveis para apurar a idoneidade dos relatórios de auditorias externas, referentes aos balanços da Encol, que respaldaram a avaliação da empresa dentro do banco. Na próxima reunião ordinária do Conselho, marcada para o dia 5 de abril, a diretoria do BB deverá demonstrar que adotou providências para impedir que as falhas verificadas nas operações com a Encol foram sanadas, de modo a evitar ocorrências futuras. A diretoria do BB afirmou, na nota, que está mobilizada para adotar, no menor prazo possível, as medidas recomendadas pelo Conselho de Administração.

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