BB pode provisionar R$ 6,1 bi para Prefeitura de SP
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 07 (AE) - Se o governo federal não finalizar até o fim do mês o acordo com a Prefeitura de São Paulo para refinanciar os R$ 6,1 bilhões em títulos da dívida pública mobiliária do município em poder do Banco do Brasil (BB)
a instituição, "tecnicamente", terá de provisionar este valor. A informação foi dada hoje pelo gerente-executivo de Relações com Investidores do BB, Marco Geovanne Tobias da Silva, antes de fazer uma apresentação à seccional sul da Associação Brasileira dos Analistas de Mercado de Capitais (Abamec).
"Faltam alguns ajustes entre o governo federal e a Prefeitura de São Paulo, como taxas e prazos", disse o executivo. De acordo com ele, o banco "não trabalha" com a hipótese de que o acordo não será finalizado.
Silva explicou que, este mês, o BB começará a sentir os efeitos da redução do compulsório sobre os depósitos à vista determinada recentemente pelo Banco Central (BC). Com a queda de 75% para 65% na parcela dos depósitos que ficam retidos no BC, o BB terá um retorno total de R$ 800 milhões a R$ 850 milhões, sobre uma carteira de depósitos à vista de R$ 10,2 bilhões. Uma parte começará a ser liberada ainda em outubro.
Por enquanto, porém, os recursos deverão permanecer em operações de tesouraria, aplicados em títulos federais. À medida em que as taxas de juros pagas pelo governo recuarem, o dinheiro será redirecionado para operações de crédito com a finalidade de não comprometer a rentabilidade do banco, informou o executivo. Segundo ele, a instituição trabalha com uma projeção de 18,5% para a taxa Selic na virada do ano.
De acordo com Silva, o banco está preparando-se para o incremento da demanda por crédito com a implementação de novas matrizes de gerenciamento de risco. Foi instituída uma Diretoria de Controle para verificar o respeito às normas internas e externas de segurança na concessão de empréstimos, segundo Silva.
O gerente-executivo de Contadoria do BB, Pedro Mello, que também participou da reunião da Abamec, disse que as mudanças anunciadas hoje pelo governo federal nos critérios de dedução da Cofins sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) vão "afetar um pouco" o desempenho do banco. Ele ainda não dispunha, entretanto, de uma projeção mais precisa sobre os possíveis impactos. Nos primeiros oito meses deste ano, a instituição acumulou um lucro líquido de R$ 804,7 milhões.


