BB pode levar até 20 anos para recuperar parte do prejuízo com a Encol
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 15 (AE) - O Banco do Brasil levará de "dez a 20 anos" para recuperar "parte" do prejuízo de R$ 200 milhões sofrido nos financiamentos concedidos à Encol, que teve falência decretada recentemente. De acordo com o presidente do BB, Andrea Calabi, dos 500 edifícios que a empresa tinha em várias fases de construção, 200 foram separados para garantir as obrigações com os mutuários. Os 300 restantes serão divididos para cobrir débitos trabalhistas, fiscais e financeiros em processos de "prazo muito longo", disse.
Calabi afirmou que as auditorias que apuram as operações relativas à aquisição de debêntures da Encol pelo Banco do Brasil e a participação da diretoria na concessão de empréstimos à empresa serão concluídas em de semanas. "Espero que nada seja alongado", afirmou.
De acordo com Calabi, o banco vai apresentar à CPI do sistema financeiro o sumário executivo da auditoria interna que concluiu pela "inexistência de dolo ou má-fé" por parte de executivos nas operações com a Encol, que provocaram uma perda de R$ 200 milhões para a instituição. O presidente reconheceu a ocorrência de "falhas" nas agências, mas lembrou que elas levaram a punições de dez dos 20 funcionários arrolados pela comissão de ética do banco.
Calabi disse ainda que o relatório do Conselho Fiscal sobre o tema também apontou que não houve má-fé das várias instâncias que participaram das operações com a Encol. O documento recomendou a não-responsabilização dos funcionários de cargos mais baixos, mas sugeriu que "eventuais questões deveriam ser vistas nos colegiados superiores que aprovaram as operações", comentou o presidente.
As divergências entre os pareceres da auditoria interna e do Conselho Fiscal levaram à nova investigação, que deverá estar pronta nas próximas semanas. O resultado final será encaminhado ao Conselho de Administração do banco, do qual faz parte o Ministério da Fazenda, porque poderá responsabilizar integrantes da diretoria.
Segundo Calabi, a substituição de Édson Soares Ferreira por Fuad Noman na Diretoria de Crédito Geral, neste mês, não está relacionado com o caso da Encol. "Nada encontrei que levasse a indícios de dolo; a mudança teve a ver com a montagem da minha equipe", disse.


