BB libera R$ 1,75 bi para o crédito rural este mês
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Esteio, RS, 02 (AE) - O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, anunciou hoje a liberação de R$ 1,75 bilhão este mês, pelo Banco do Brasil, para investimento e custeio da safra de verão em todo o País. Os recursos já foram repassados às agências e fazem parte dos R$ 7,5 bilhões que a instituição deve financiar até dezembro, dos R$ 13 bilhões anunciados no Plano de Safra do governo federal.
Durante reunião com produtores, parlamentares e o governador Olívio Dutra (PT) na casa da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) no parque da Expointer, o ministro disse que para o Estado foram disponibilizados R$ 420 milhões em setembro, sendo R$ 340 milhões para custeio. Dos recursos nacionais para o período, o custeio levou R$ 1,53 bilhão. Segundo o diretor de Negócios Rurais e Agroindustriais do BB, Ricardo Conceição, no ano passado o banco liberou R$ 4,9 bilhões para o setor rural no País, sendo R$ 1,1 bilhão para o Rio Grande do Sul. A maior parte destinada ao Estado, de R$ 812 milhões, foi para custeio agrícola.
Pratini também adiantou que até o final do ano deverá ser implementada a Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação financeira para ampliar a captação de recursos para o setor. O mecanismo poderá substituir ou funcionar em paralelo com a CPR atual, que tem liquidação em produto. "Estamos conversando com o Banco do Brasil e o Ministério da Fazenda", disse. Ricardo Conceição, do Banco do Brasil, explicou que a CPR financeira será um instrumento importante de financiamento para o produtor.
Na opinião dele, a nova cédula vai atrair investidores que estavam fora do sistema porque não se interessam em receber produto no momento da liquidação. O diretor do BB disse ainda que as novas regras apresentadas pelo governo para alongamento das dívidas rurais dão um "alívio" para os produtores e criam melhores condições de análise dos projetos de financiamento encaminhados ao banco. Segundo ele, somente no Rio Grande do Sul os débitos securitizados chegam a R$ 1,3 bilhão. São 30 mil produtores nesta situação, 50% dos quais com dívidas até R$ 10 mil.
Restrições - Pratini de Moraes disse que não está preocupado se as restrições sanitárias anunciadas ontem à importação de arroz irão provocar reações dos países do Mercosul. "Se houver problema, não é problema meu", declarou.
No seu primeiro dia de visita à Expointer 99, Pratini afirmou que "o ministro tem de defender a agricultura brasileira". Segundo ele, o processo de inspeção determinado ontem é "suave" e foi estabelecido dentro de princípios que "não agridem nossas relações internacionais". "Se agredirem a gente acerta", ressalvou.
O ministro garantiu que o objetivo das restrições "não é atrapalhar o Mercosul, mas ajudar o Rio Grande do Sul". A medida atendeu às reivindicações dos arrozeiros gaúchos, que reclamavam da queda de preços do produto causada pela importação da Argentina e Uruguai num ano em que o País praticamente alcançou a auto-suficiência de arroz. A determinação do ministério exige que amostras do produto importado sejam recolhidas em todos os postos de fronteira, portos e aeroportos do País para análise fitossanitária. Até que os exames sejam concluídos, o que pode levar de 20 a 30 dias, o arroz deverá permanecer estocado às custas do importador.


