BB foi o banco que mais ganhou com desvalorização do real
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Soraya de Alencar e Adriana Fernandes 
Brasília, 20 (AE) - O ganho de R$ 3,35 bilhões obtido pelo Banco do Brasil com a desvalorização do real, em janeiro, foi o maior dentre todas as instituições do sistema financeiro do País. "Isso é um fato", confirmou o diretor financeiro do BB, Carlos Gilberto Caetano, explicando que "só quem tem posição relavante em dólar no exterior é o Banco do Brasil". Nas suas 34 agências no mercado internacional, os ativos do BB em dólar correspondem a US$ 6 bilhões.
Depois da apuração do ganho, o Banco do Brasil decidiu apartar R$ 1,86 bilhão para suportar uma valorização do real. Na época, segundo já admitiu o presidente da instituição, Andrea Calabi, a cotação do dólar estava em R$ 1,98. A avaliação do BB, no entanto, foi que a moeda norte-americana poderia recuar até R$ 1,65. No mercado, a interpretação era que a cotação, que superou os R$ 2,00, estava exagerada e cairia quando os cenários estivessem mais calmos.
Segundo explicou Caetano, na hipótese do dólar ficar abaixo dos R$ 1,65 projetados pelo BB, a instituição não terá perdas. Segundo ele, a diferença entre as cotações é computada como uma despesa. Na apuração do resultado do banco, outras despesas e também receitas são consideradas. Dessa forma, a despesa resultante da valorização do real poderá ser compensada por uma receita, como aquelas provenientes de operações de crédito, prestação de serviços ou cobrança de tarifas, por exemplo.
A garantia do diretor é que, em nenhuma hipótese, o lucro de R$ 556,5 milhões obtido pelo BB nos primeiros três meses do ano (R$ 225 milhões em janeiro, R$ 78,8 milhões em fevereiro e R$ 252,6 milhões em março) será reduzido ou mesmo afetado.
Perda - Caetano lembrou que o ganho obtido pelo BB este ano ocorreu da mesma forma que a instituição registrou perdas na decolagem do Plano Real, quando a moeda brasileira foi sobrevalorizada. Exatamente porque tinha muitos ativos em dólar, o Banco do Brasil teve perdas R$ 1,56 bilhão que foram responsáveis pelos prejuízos registrados pela instituição no segundo semestre de 95 e primeiro de 96.


