BB diz que não errou no cálculo da dívida agrícola
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quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 20 (AE) - A diretoria do Banco do Brasil comunicou no início da noite de hoje que está estudando a adoção de medidas judiciais "para evitar que estudos e informações equivocadas possam afetar negativamente as relações com seus clientes na agricultura e prejudicar sua atuação no financiamento agrícola do País. Em nota oficial, o BB refutou, com veemência, "ilações sobre metodologia inadequada de cálculo
afirmando que a instituição desconhece os critérios adotados pelos estudos. O estudo que apontou erros no cálculo da dívida dos agricultores é da Fundação Getúlio Vargas.
O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, discordou do estudo que foi coordenado pelo professor Antônio Carlos Aidar. "É uma acusação muito grave ao Banco do Brasil," disse Conceição. Segundo ele o BB é rigoroso no cumprimento das normas e a diferença entre um cálculo e outro pode ser explicado pela utilização de uma metodologia distinta, que ele desconhece.
De acordo com Ricardo Conceição o Banco do Brasil nunca se negou a rever os cálculos e a demonstrar para os produtores como se chegou ao valor da dívida. "Sempre estivemos e estamos dispostos a rever algum erro, mas dizer que o Banco do Brasil descumpriu normas é impensável", afirmou. Ele garantiu que o BB cumpriu, no cálculo da dívida agrícola, tudo o que foi definido pelo governo.
Para o diretor do BB o resultado diferente pode ter outra explicação. "Nós temos mecanismos para pegar caso a caso e esclarecer", garantiu. Segundo Conceição a metodologia desenvolvida pelo BB para chegar ao valor da dívida dos agricultores, nas sucessivas renovações permitidas pelo governo, foi aprovada pelo Banco Central depois de checada toda a legislação e as resoluções do Conselho Monetário Nacional.
O diretor de Finanças e de Relações com o Mercado do Banco do Brasil, Carlos Gilberto Caetano, também não concordou com a afirmação do diretor-jurídico da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Augusto Germani, de que o BB embutiu na dívida dos agricultores honorários advocatícios. "Parte do acordo estabelecia que cada uma das partes assumiria o ônus dos seus respectivos advogados e foi isso que o Banco do Brasil fêz", disse. Segundo ele o BB arcou com um ônus elevado porque muitos advogados eram contratados pelo banco, fora do seu quatro de pessoal.
Caetano não quis comentar, diretamente, o estudo da Fundação Getúlio Vargas, afirmando que não o conhecida. Para fazer qualquer análise técnica Caetano afirmou que precisaria ter o estudo em mãos, com as planilhas utilizadas nas hipóteses apontadas pelos pesquisadores. "Sem isso não posso emitir nenhum juízo", disse. Ele garantiu, no entanto, que o BB tem milhares de clientes, inclusive empresas, e nunca registrou nenhuma reclamação sobre cálculo errado de dívida.
O diretor justificou a referência ao Banco do Brasil pelo fato de a instituição ter ampla capilaridade no País e ser responsável, sozinho, por 75% do crédito agrícola no País. Na sua avaliação toda essa mobilização em favor da agricultura partiu dos grandes devedores rurais inadimplentes, que estão querendo os benefícios concedidos pelo governo aos pequenos. "Não faz sentido porque são empresas capitalizadas, com poder no mercado", disse.


