BB anuncia recursos para a safra e renegocia dívidas no Paraná
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 23 (AE) - O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo da Conceição, esteve reunido hoje pela manhã com gerentes do Banco do Brasil, lideranças de agricultores e produtores rurais do Paraná, em Curitiba, para assinar acordos de renegociação de dívidas e anunciar que estão disponíveis no País R$ 750 milhões para custeio da safra, R$ 100 milhões para investimentos e R$ 200 milhões para comercialização do café. Somente para o custeio no Estado já foram liberados R$ 257 milhões.
"Não tenho que ficar esperando nada para financiar a safra", afirmou Conceição. "No entanto, as coisas andavam devagar." Segundo ele, pela manhã foi passado um comunicado a todos os gerentes afirmando que "os agricultores são clientes especiais, e os pequenos agricultores, mais especiais ainda". "Levamos quatro anos para ter uma relação de tranquilidade, de paz, e não podemos destruir, mas melhorar o relacionamento", disse. "Estamos vivos e muito vivos, e interessados em financiar a nova safra."
De acordo com Conceição, hoje seriam realizadas mais de cem reuniões como aquela que fazia em Curitiba. "As discussões em Brasília já chegaram a um ponto e nós temos de fazer acontecer na ponta", justificou. Segundo ele, o governo está "dando um prêmio para a adimplência". "Vamos ajudar aqueles que querem pagar", disse. "Temos centenas de milhares de excelentes clientes do banco." O superintendente do Banco do Brasil no Paraná, João Carlos de Mattos, disse acreditar que o Estado conseguirá colocar à disposição dos produtores os R$ 750 milhões necessários para o custeio total da safra de 100 mil agricultores. No ano passado, foram financiados 90 mil produtores, que receberam R$ 700 milhões.
Segundo ele, os agricultores paranaenses devem cerca de R$ 2 bilhões ao Banco do Brasil. Desse total, R$ 1,1 bilhão já estão incluídos no programa de securitização da dívida. Outros R$ 400 milhões também foram negociados no Programa Especial de Saneamento dos Ativos (Pesa). Mattos espera que, até o fim do ano, mais R$ 200 milhões sejam incluídos no Pesa. Os outros R$ 300 milhões serão cobrados na Justiça. "É quem não realmente não quer pagar nada", disse.
Durante a visita do diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil foram assinados dois contratos de adesão ao Pesa, um deles com a Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, no valor de R$ 31 milhões, um dos maiores do Estado. Também foi assinado um dos primeiros contratos de pré-comercialização de café, com o cafeicultor Ricardo Grassano, de Arapongas, além de outros cinco convênios para custeio e aquisição de insumos.


