Bayer recolhe medicamento que matou 31
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sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Katia Michelle<BR>De Curitiba 
A Companhia Farmacêutica Bayer começou a retirar ontem do mercado o medicamento Lipobay, indicado para reduzir os níveis de colesterol. A medida foi adotada depois que a empresa confirmou aumento dos efeitos colaterais nos pacientes que utilizavam o medicamento, além de 31 mortes que estariam relacionadas ao uso do remédio. Em todo o mundo, seis milhões de pessoas utilizam o Lipobay, 20 mil somente no Brasil.
Conforme a Bayer, segunda maior companhia farmacêutica da Europa, a principal reação adversa observada nos pacientes é a radbomiólise, efeito que causa a destruição da fibra muscular esquelética. A empresa enviou notificação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que todas as fármácias e órgãos de saúde fossem comunicados da retirada do produto. Em carta à Anvisa, a Bayer informa que a radbomiólise é um efeito colateral raro, que pode causar risco à vida. A reação acontece quando o princípio ativo do Lipobay (cerisvatatina) é combinado a medicamentos que contém genfibrozila, também um princípio ativo utilizado no tratamento contra o colesterol.
A assessoria de imprensa da Bayer divulgou que foram tomadas uma série de medidas para evitar essas reações adversas, inclusive a informação na bula do remédio sobre a contra-indicação da prescrição do remédio se utilizado com a genfibrozila. Ainda assim, a empresa continuou recebendo reclamações sobre os efeitos colaterais e decidiu retirar temporariamente o medicamento enquanto faz análises complementartes. A iniciativa atinge 80 países onde o remédio é comercializado, com excessão do Japão, já que o genfibrozil não é utilizado em medicamentos vendidos naquele país.
A Bayer informou ainda que todos os pacientes que atualmente estão tomando o remédio devem interromper o uso imediatamente após o término da cartela, ou retornar ao médico para receber tratamento alternativo. No Brasil, foram constados seis casos de reações adversas nos últimos três anos, mas de acordo com a assessoria de imprensa da Bayer, todas foram contornadas.
O coordenador do Centro de Informações de Medicamento do Conselho Regional de Farmácia no Paraná, José Gilberto Pereira, salienta que a retirada do Lipobay do mercado reporta ao risco da utilização dos novos medicamentos. Pereira lembra que o Lipobay é comercializado no Brasil há três anos. ''Esse tipo de medicamento é testado em poucos pacientes antes de ser distribuído'', revela. O resultado, complementa, é que as reações adversas começam a aparecer somente depois que o produto já está se solidificando no mercado.
Para tentar amenizar o problema, o Ministério da Saúde está intensificando a vigilância dos medicamentos distribuídos. Somente este ano, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a Anvisa já determinou a retirada de cerca de 200 produtos do mercado farmacêutico.


