Uma conversa entre os alunos do Escola Interativa (Área Central de Londrina), e oito índios caingangues da reserva do Apucaraninha, de Tamarana (63 km ao sul de Londrina) contribuiu para desfazer mitos e aproximar as crianças da cultura indígena. A atividade, realizada ontem na escola, marcou o Dia do Índio.
Segundo a mantenedora da instituição, Jane da Cunha Martins, a intenção é aproximar as datas dos estudantes e transformar a vivência em aprendizado.
Para o índio Mário de Oliveira, 66 anos, experiências com estas deveriam acontecer mais vezes. ''Se a gente ficar só na aldeia não conhece as pessoas e não aprende as coisas'', disse, lembrando que a conversa proporcionou uma troca de experiências. Como Oliveira era o único adulto, respondeu a maioria das perguntas que se referiam aos costumes. ''Eu tenho saudades de antes. Às vezes quando entro no meio do mato e fico um pouco para lembrar a época que a gente vivia lá'', contou.
As diferenças entre alguns povos também foi discutida. ''O caingangue não usava muito cocar, nem arco e flecha. Isso acontece mais com as tribos que moram no Mato Grosso'', explicou o índio. Oliveira também contou que hoje muitas frutas e os peixes estão desaparecendo da reserva e que, para sobreviver, os caingangues fazem atersanatos e criam animais como boi, galinhas e porcos.
A aluna da 4 série do Ensino Fundamental Clara Simões, 10 anos, disse que aprendeu muito. ''Eu achei bonito o jeito como eles lutam para sobreviver. Eles contaram que tem muita gente que bate a porta na cara deles'', relatou. Mas o que mais surpreendeu o aluno da 7 série Rodrigo Franco Ferreira, 13 anos, foi a forma como os índios se vestem. ''Imaginava que eles usavam tangas, mas não é assim. Eles usam roupas simples como nós'', constatou.
De acordo com Oliveira, para comemorar o Dia do Índio eles costumam reunir a ''indiada'', matar um boi e fazer um grande churrasco.

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