Rio, 06 (AE) - Em vez de pedras, o projeto de ampliação do metrô carioca encontrou, no meio do caminho, um batalhão de Polícia Militar. O que fazer com ele é o mais recente problema dos governos estadual e municipal do Rio. O local para onde o 19º BPM seria transferido provisoriamente é uma praça, em Copacabana, mas os moradores da região foram à Justiça para que o local continue como está.
Hoje o Metrô recebeu uma notificação da promotora Rosani da Cunha Gomes, integrante da equipe de proteção ao meio ambiente do Ministério Público. O documento informa que é proibido construir qualquer coisa em praças, principalmente na Vereador Rocha Leão, no Bairro Peixoto, área de proteção ambiental. Ali, o governo estadual planejara construir um prédio de quatro andares para abrigar o batalhão enquanto durasse a obra de ampliação do Metrô. O traçado da expansão da linha 1, que levará o Metrô até a Siqueira Campos passa pela rua Toneleros onde está o batalhão.
O assessor de imprensa do Metrô, Luiz Parpinelli, informou que o caso está sob apreciação do departamento jurídico da empresa. Segundo ele, as obras não foram paralisadas por causa do impasse até porque ainda não havia sido estipulada a data para a derrubada do prédio do batalhão. As obras de expansão começaram na semana passada com a realização de testes com explosivos que acontecem duas vezes por dia, a 18 metros de profundidade, na rua República do Peru. O término está previsto para março de 2002.
"Há outros lugares em que o batalhão pode ficar", afirmou a deputada Solange Amaral (PTB/Rio). "O medo dos moradores deve-se ao fato de que, no Brasil, o provisório costuma virar definitivo". A deputada está auxiliando a recém-formada Associação de Moradores da Praça Vereador Rocha Leão a preservar o local. Segundo ela, foram sugeridos, como alternativa, locais próximos à praça para a instalação do batalhão: um prédio da Cedae que a prefeitura pensa em transformar em albergue para mendigos, um terreno da Comlurb ou os fortes do Leme e de Copacabana.
Na opinião da sub-prefeita de Copacabana, Tereza Berger, os moradores da praça estão "exagerando". "Ali, seria o local onde o batalhão menos atrapalharia", afirmou. Na sua opinião, o melhor local para instalar os policiais seria mesmo no forte de Copacabana. O prefeito Luis Paulo Conde só se manifestará sobre o assunto na quarta-feira, quando retorna de Paris.
Ao lado do batalhão funciona um posto de saúde que também deverá ser transferido. A prefeitura pretende instalá-lo na maior praça de Copacabana, a Serzedelo Correa. Contra essa determinação ainda não houve manifestações populares. A sub-prefeita Tereza Berger informou que a ocupação provisória das praças terá a duração mínima de um ano.
Um integrante da Associação de Moradores da praça Vereador Rocha Leão que se identificou apenas como Pedro disse que o local é usado como estacionamento pelos moradores. "Sou favorável à expansão do Metrô, mas acho que os policiais militares deveriam ficar no Forte", afirmou.

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