Bogotá, 15 (AE-IPS) - O Exército da Colômbia dará início nesta sexta-feira a uma ofensiva contra grupos que protegem narcotraficantes nas selvas do sudeste do país, e alguns analistas avaliam que isso será um passo até a participação dos Estados Unidos no combate à guerrilha.
O presidente Andrés Pastrana apresentou na terça-feira o novo batalhão que será responsável por essa ofensiva, cujo objetivo fundamental é "combater os grupos armados que protegem a estrutura do narcotráfico", segundo o general Fernando Tapias, comandante das Forças Armadas.
A unidade militar, que terá sua sede na cidade de Três Esquinas, do departamento de Caquetá, sudeste do país, conta com 2.000 homens que foram treinados por dois meses por 67 oficiais de Estados Unidos.
O batalhão empregará avançados equipamentos de telecomunicações via satélite e 18 aviões e helicópteros doados pelo governo americano, com os quais o Exército afirmou será possível repelir qualquer ação de gangues de narcotraficantes ou da guerrilha que as protegem.
Ele também terá à sua disposição radares colocados em locais estratégicos para detectar vôos proibidos, e censores de grupos humanos que se desloquem por terra.
Alfredo Rangel, pesquisador da privada Fundación Social, disse à IPS que a entrada em atividade dessa nova unidade do Exército "oficializa uma nova etapa no tipo de ajuda antinarcóticos que os Estados Unidos vêem prestando à Colômbia".
Segundo Rangel, a assistência americana vinha sendo dirigida prioritariamente para a polícia, mas esta política começou a mudar quando ganhou força a posição de Barry McCaffrey, chefe da agência antidrogas da Casa Branca, sobre a chamada "narcoguerrilha".
Para o analista, essa mudança de enfoque tem aberto lentamente as portas para uma participação direta dos Estados Unidos na guerra contra-insurgência, apesar da resistência de alguns setores americanos.
As forças policiais erradicam anualmente entre 50.000 e 60.000 hectares de cultivos de drogas, mas a superfície total desses cultivos tem aumentando com a proteção da guerrilha e dos paramilitares, o que tem levado o Exército e a Força Aérea a apoiar a polícia, acrescentou Rangel.
A Colômbia recebeu este ano assistência militar e policial dos Estados Unidos de cerca de US$ 500 milhões, superada apenas pela que Washington enviou para Israel e Egito.
O total desta assistência dos Estados Unidos à Colômbia poderia duplicar no ano que vem, se a secretária de Estado americana, Madeleine Albrigth, concorde com o pedido de McCaffrey.
McCaffrey disse ao Congresso e a outras autoridades americanas
em seu informe sobre a visita que realizou em agosto à Colômbia
que este país enfrenta "uma enorme crise" porque a guerrilha e os paramilitares "estão atacando a democracia, em grande parte financiados pelo narcotráfico".
Na opinião de McCaffrey, é responsabilidade dos Estados Unidos "dar ao Exército e à polícia da Colômbia os recursos que necessitam" para enfrentar essas ameaças.
Eduardo Pizarro, do Instituto de Estudos Políticos e Relações Internacionais da estatal Universidade Nacional, opinou que os Estados Unidos deram um giro de 180 graus na sua política de assistência à Colômbia, que o colocam "à beira de um apoio direto à guerra contra-insurgência".
O pesquisador assinalou que Washington pratica uma política de "duas mãos" na Colômbia, já que o Departamento de Estado apoia o processo de paz com os insurgentes lançado por Pastrana enquanto fortalece o exército e a polícia para a guerra.
Outros analistas estimaram que o apoio americano a uma luta não direcionada ao narcotráfico mas sim à insurgência significa "intervir nos assuntos internos da Colômbia", e poderia ser o começo de uma "vietnamização" deste país.
O número de militares americanos que cooperam com as Forças Armadas colombianas não é conhecido oficialmente, mas notícias da imprensa dão conta que haveria entre 150 e 250 em tarefas de assistência direta do Departamento de Defesa, 80 deles em estações de radar e o resto oferecendo instrução.
O Centro para Política Internacional de Washington afirmou num informe divulgado em julho pelo destacado diário colombiano El Espectador que houve um programa específico dos chamados "boinas verdes" (tropas de elite americanas) para a realização de 24 operações na Colômbia.
O informe assegurou que uns 250 "boinas verdes" teriam participado em operações de treinamento para a luta antidrogas e 32 em instrução para "combate antiterrorista" e "resgate de reféns", sem indicar em que datas teriam sido realizadas as ações.

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