Batalha no Congresso para se convocar referendo
Bogotá, 05 (AE-AP) - O governo colombiano e suas maiorias legislativas iniciaram hoje (05) uma corrida contra o relógio para que o Congresso aprove um projeto que convoca um referendo para 30 de julho, destinado a combater a corrupção na política, revogar o mandato dos legisladores e eleger um novo e reduzido Congresso em 29 de outubro.
"Estamos cansados dos corruptos", afirmou o presidente Andrés Pastrana na noite de terça-feira, ao anunciar o referendo. "Estamos cansados da burocracia ineficiente e da politicagem."
"Creio que haverá um alvoroço impressionante no Congresso", reagiu hoje a senadora independente Ingrid Betancourt, ressaltando que a maioria dos "congressistas corruptos e ladrões" se opõe à revogação de seu mandato.
Formalmente, a coalizão governista Grande Aliança pela Mudança
formada pelo Partido Conservador e por uma facção dissidente do Liberal, tem maioria no desprestigiado Congresso - que é composto por 102 senadores e 161 deputados e tem sido abalado por sucessivos escândalos de desvio de verbas do orçamento.
No entanto, membros da própria bancada governista, como o presidente do Senado, Miguel Piñedo Vidal, mostraram não ter gostado muito da iniciativa de Pastrana.
"Não faltou audácia ao presidente nesta proposta de revogar o Congresso", afirmou Piñedo Vidal. "Ele se equivoca ao fazer o país pensar que a corrupção está apenas no Congresso", acrescentou.
O líder da oposição liberal, Horácio Serpa, afirmou que, assim como o mandato do Congresso - que, pelas normas atuais, terminaria em 2002 -, deveria estar em jogo o do próprio Pastrana, já que "também há corrupção" no governo.
O ministro do Interior, Néstor Humberto Martínez, descartou a possibilidade de incluir no referendo uma pergunta sobre a permanência ou não de Pastrana. "O mandato presidencial não está questionado."
Os dois principais grupos guerrilheiros do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), rejeitaram a idéia do referendo, alegando que as reformas propostas por Pastrana não são a solução para a crise, e as soluções devem surgir das negociações de paz.
"O país não pode esperar o resultado das discussões eternas entre o governo e a guerrilha para atacar a corrupção", reagiu o presidente do Partido Conservador, o senador Enrique Gómez.





