Buenos Aires, 09 (AE) - Quando Fernando De la Rúa tomar posse amanhã (10), às 11:00 de Buenos Aires (12:00 de Brasília), receberá uma série de símbolos presidenciais: a faixa, um bastão e também um "trono". Um deles, o bastão presidencial, reminiscência dos cetros reais, é o centro de uma guerra que não envolve políticos ou lobbies empresariais: é uma pura disputa pelo prestígio. A guerra está ocorrendo entre os "bastoneiros"
os artesãos que confeccionam os bastões presidenciais, e que pretendem - cada um - que De la Rúa utilize o seu.
Um dos aspirantes é Uber Ricciardi, um dos mais prestigiados joalheiros da Argentina, cuja família tem preparado grande parte dos bastões presidenciais desde 1932. O bastão não é herdado: ele é preparado especialmente para cada novo presidente. Por esse motivo, quando o presidente Juan Domingo Perón morreu em 1974, fizeram um às pressas para sua vice e viúva, Isabelita Perón. Ao sair do governo, o presidente pode levar seu bastão para casa.
Durante o governo Menem, o bastão foi centro de uma disputa familiar: em uma das frequentes e escandalosas brigas conjugais, a esposa de Menem, Zulema Yoma, trancou-se em sua casa com o bastão, que o presidente precisava no dia seguinte para uma cerimônia oficial. A saída foi retirar do museu da Casa Rosada um bastão antigo que serviu como substituto.
Ricciardi preparou um bastão de málaca cuja empunhadura é de ouro 18 quilates com o escudo argentino em esmalte. Para que não houvesse dúvidas de seu "direito adquirido", o joalheiro exibiu publicamente o bastão em horário nobre: em um telejornal das 20h. Apesar do alto custo e da confecção que levou três meses, Ricciardi não cobrará pelo bastão: simbolicamente pede US$ 1.
Do outro lado, está o ourives Juan Carlos Pallarols, que preparou um bastão "criollo", tipicamente argentino: a madeira é de urunday claro, que simbolicamente não se dobra nem se quebra, e tem um castão de prata. Pallarols entrou na briga colocando na vitrine de seu atelier o bastão, junto com uma imitação da cadeira presidencial e a faixa. Ainda não se sabe qual dos dois será amanhã ostentado por De la Rúa.
Outro dos símbolos presidenciais é o "Sillón de Rivadavia", a cadeira presidencial, utilizada ininterruptamente desde o primeiro presidente argentino, Bernardino Rivadavia. Espécie de trono do máximo poder argentino, "el sillón", na verdade é uma fraude. A cadeira pertencente a Rivadavia não está na Casa Rosada, mas na Catedral de Buenos Aires. A cadeira erroneamente atribuída ao primeiro presidente argentino, na verdade foi utilizada pelo presidente Julio A. Roca, que comandou o país nos últimos anos do século passado.

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