Base impede novamente votação da CPI dos Frangos
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 21 (AE) - A bancada de apoio ao governo na Câmara de São Paulo impediu hoje novamente a votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frangos, com a ajuda indireta de pelo menos dois vereadores do PL, que não compareceram ao plenário e favoreceram os governistas a evitar o quórum de 28 vereadores para iniciar a apreciação.
Os vereadores Archibaldo Zancra (PL) e José Viviani Ferraz (PL) foram criticados pela oposição porque, ontem (20), o Diretório Estadual do partido fechou questão a favor da CPI proposta pelas legendas de esquerda para investigar as denúncias feitas pela primeira-dama Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN).
Na prática, a manutenção do requerimento da CPI dos Frangos na pauta impede diretamente a discussão da comissão para investigar as acusações feitas pela ex-mulher de Celso Pitta. Isso porque, enquanto esse requerimento não for aprovado ou rejeitado, o pedido das oposições não poderá ser discutido.
"Espero que o PL questione o comportamento desses vereadores do partido", afirmou o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo. Ferraz e Zandra foram procurados pela reportagem, mas não foram localizados.
O presidente estadual do PL e pré-candidato à sucessão de Celso Pitta, deputado federal Marcos Cintra (SP), disse que o episódio será apurado. "Precisamos ver em que condições isso ocorreu, se foram eles diretamente os responsáveis, mas o partido estará atento a isso", afirmou Cintra.
Com a decisão do PL, a oposição conta com 26 votos a favor da CPI. Esse número pode cair para 23. Vereadores de partidos contrários ao prefeito sabem que há resistências internas dentro da bancada do PL.
O PPS e o PSB formram hoje um bloco parlamentar na Câmara para tentar garantir a indicação do sétimo membro na Comissão Processante (CP) que deve ser instaurada para avaliar o pedido de impeachment a ser apresentado pela seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Como isso, os partidos de oposição garantiriam a maioria na comissão.
De acordo com assessores técnicos da Câmara, novas composições partidárias só serão reconhecidas no próximo ano legislativo. Dessa forma, o bloco PPS-PSB só valeria para efeito de proporção partidária em 2001.


