O óxido nítrico (NO), substância que combate a impotência, também pode ser usada na prevenção de arterioesclerose, hipertensão e úlcera. Um remédio com esta substância deverá estar no mercado em um ou dois anos, disse ontem o cientista norte-americano Louis Ignarro, ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 1998 por sua descoberta dos benefícios do NO. Ignarro é responsável pelos estudos que serviram de base para a criação do Viagra, que estimula a ação do NO no organismo.
De acordo com o médico, que veio ao Rio participar da 2ª Bienal de Pesquisa da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), o óxido nítrico estabiliza a pressão do sangue e impede sua coagulação. O NO é produto da metabolização da nitroglicerina - presente em medicamentos para curar problemas cardíacos, como a angina - no corpo humano.
‘‘O resultado dos testes com ratos mostrou que o óxido protege o sistema cardiovascular. Os animais com arterioesclerose que receberam a substância apresentaram sensível melhora’’, disse Ignarro, pesquisador da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia.
‘‘Acredito que o desenvolvimento de novas drogas feitas de NO vão reduzir significativamente o número de mortes por doenças cardiovasculares nos próximos cinco ou dez anos’’, afirmou o médico, ressaltando que a ação da substância no tratamento de úlcera já foi constatada. ‘‘Existe uma indústria na Europa que está produzindo remédios para úlcera de estômago.’’
Um medicamento contra a arterioesclerose teria como objetivo aumentar a concentração de NO no organismo. ‘‘Poderiam ser pílulas para dar mais NO ao corpo ou então para proteger suas moléculas já existentes que, por serem muito instáveis, são facilmente destruídas’’, explicou o médico. Ele começou a estudar a ação do óxido no organismo humano há dez anos. Antes de Ignarro descobrir os usos do NO na prevenção de doenças, a comunidade médica acreditava que a substância era muito perigosa para o corpo.
Apesar de sua descoberta ter sido fundamental para o desenvolvimento do Viagra, Ignarro disse nada receber pela venda do remédio. ‘‘A fórmula foi patenteada pela Pfizer (laboratório que fabrica o medicamento), que a descobriu por acaso. Nunca trabalhei para eles, mas acredito que a ciência é livre.’’ Os técnicos da Pfizer perceberam que um remédio para curar angina tinha a ereção como efeito colateral e, depois do estudo de Ignarro, a empresa patenteou a fórmula do medicamento, batizado de Sildenafil, mas popularmente conhecido como Viagra.

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