São Paulo, 21 (AE) - Um grupo de parlamentares ligados ao governo municipal de São Paulo avalia que, em caso de necessidade extrema, será melhor enterrar qualquer possibilidade de comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre as denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN), e permitir a aprovação de uma comissão processante (CP) com o pedido de impeachment a ser feito pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Dessa forma, estariam livres de uma nova investigação e ainda poderiam tentar inocentar o prefeito na análise técnica do pedido de cassação da entidade.
"A CPI será um instrumento político em ano eleitoral e a Comissão Processante trabalhará em cima de um objeto definido, com um teor reduzido de ingredientes político-eleitorais", afirmou hoje o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). O secretário de Governo da Prefeitura, Carlos Meinberg, convocou alguns vereadores para uma reunião, hoje de manhã, no Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro II, centro.
O vereador Bruno Feder (PTB) repetiu hoje que o governo municipal ainda não apresentou uma alternativa política e a base governista continua dispersa. "Com esse quadro, acho possível que algum pedido de impeachment ou uma CPI acabe sendo aprovada na Câmara", disse Feder.
Compareceram o líder do Governo na Câmara, Brasil Vita (PPB), e o vereador Wadih Mutran (PPB) - também encarregado de ser o elo entre a Prefeitura e o Legislativo. O vereador Toninho Paiva (PFL) também foi convidado, mas se recusou a ir à sede do governo.
Durante a sessão da Câmara, Vita e Mutran demonstraram preocupação. Eles pediram adiamento e convocaram uma reunião da base governista.
O encontro demorou mais de 30 minutos, mas poucos parlamentares aliados ao governo retornaram ao plenário. A intenção era esvaziar a sessão para evitar uma decisão em relação ao requerimento de CPI com o objetivo de investigar a suposta compra irregular de frangos feita pela Prefeitura, de empresas da família do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), e ganhar tempo visando a definir um plano de ação.
"Eu quero a minha mãe", disse o vereador Edivaldo Estima. "Estamos todos perdidos porque ninguém dá uma orientação e cada um está num canto", afirmou o vereador Mário Dias (PPB), antes da reunião da base governista.
A reportagem tentou falar com Meinberg no Palácio das Indústrias, mas ele não retornou as ligações. Celso Pitta também não concedeu entrevista.
Os principais articuladores do Palácio das Indútrias na Câmara disseram aos demais parlamentares que o único recado que receberam foi que, ao permitir uma investigação, todos terão de ser investigados.
Isso porque Nicéa acusou também cerca de 30 parlamentares governistas de receber dinheiro para impedir a abertura de processo de impeachment em anos anteriores.
"O ideal seria não aprovar nada porque não há provas", afirmou Mutran. Na reunião, Mutran afirmou, segundo vereadores que participaram do encontro, que a base foi surpreendida pelo PL e está aguardando uma posição do PMDB.
O Diretório Estadual do PL fechou questão a favor da CPI
mas, a princípio, não teria se posicionado sobre o impeachment. Vereadores governistas acreditam que o Palácio das Indútrias poderá cobrar uma nova posição porque a legenda teria cargos no governo municipal.
O presidente do Diretório Municipal do PMDB, João Oswaldo Leiva, reuniu-se hoje com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). "Temos de apurar, mas teremos de decidir na Executiva", afirmou Leiva. A reunião deve ocorrer entre amanhã (22) e quinta-feira (23). A bancada está dividida porque uma ala quer dar uma resposta à sociedade e outra acha que tem de existir provas.
"Não posso ser e não votarei contra uma apuração", disse hoje o vice-presidente do Diretório Municipal do PMDB e vereador, Mílton Leite.
"Acho que apuração tem de existir, mas temos de analisar o pedido e agir com justiça", afirmou a vereadora Lídia Corrêa (PMDB).

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