Barros reage a ataques de aliados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 27 (AE) - Apoiado pela Executiva do PSDB, o ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do partido para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, reagiu aos ataques recebidos dos aliados desde que novas fitas do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram divulgadas esta semana.
O posicionamento do ex-ministro aconteceu depois de uma reunião de quase três horas da Executiva Nacional do PSDB, na qual houve até pedidos de desculpa de alguns tucanos que fizeram críticas à conduta de Barros no episódio.
Para ele, não há motivos para constrangimentos por causa das críticas feitas pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que condenou a reaparição política do ex-ministro. "Estaria constrangido se houvesse reação dos companheiros do meu partido, o que não houve", afirmou Barros. "Nesse episódio, importa-me a opinião dos meus companheiros; por isso, marcou-me a solidariedade que recebi deles", disse. Sobre o veto de ACM para um eventual retorno do vice-presidente do PSDB ao governo, ele foi enfático. "Eu estou entusiasmado com esse novo emprego (cargo na executiva tucana) e não tenho a menor vontade de o deixar", avisou. Provocado sobre o valor do novo salário dele - uma vez que um cargo na Executiva do PSDB não é remunerado -, Barros respondeu com ironia. "Ainda não sei porque não recebi o meu contracheque."
Barros desconversou quando foi perguntado sobre quem teria divulgado as novas fitas. "Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe", disse. Ele também não soube fazer uma avaliação sobre se o surgimento do escândalo do grampo teria alguma relação com o retorno dele à cena política, depois da Convenção Nacional do PSDB, há duas semanas.
"Não sei analisar isto; esse fato está acima da minha compreensão", ponderou. "Para mim, o episódio do grampo está encerrado." Ele citou o editorial do jornal "O Estado de S. Paulo" publicado hoje para reforçar a posição em defesa do processo de privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
O ex-ministro disse que, no momento, a principal preocupação dele é com as novas atribuições no PSDB. "Como vice-presidente do partido, todo o meu tempo será dedicado para reconstruir o serviço de inteligência na área de economia do PSDB", comentou Barros, lembrando que o desenvolvimento com estabilidade será a característica mais marcante do novo pensamento econômico dos tucanos. Ele recordou que, no passado, o PSDB tinha uma característica muito presente na formulação de políticas econômicas para o País. "O Plano Real é o PSDB", disse. "Ele é o resultado de vários anos de discussão por economistas do partido e foi decidido como opção política do PSDB."
Os tucanos também reagiram à hipótese de o partido ter saído enfraquecido depois da divulgação das novas fitas. "Nós não estamos enfraquecidos, pelo contrário; saímos extremamente fortalecidos com esses novos episódios", comentou o secretário-geral do PSDB, deputado Márcio Fortes (RJ). O presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), também foi na mesma linha e rebateu os ataques feitos por ACM. "O partido fará o que bem entender; Mendonça de Barros é uma questão de competência exclusiva do PSDB e do governo", avisou Vilela Filho.
Ele rebateu as análises de que o PSDB estaria perdendo espaço político para o PMDB e o PFL dentro da aliança governista. "O PSDB tem o seu próprio projeto e tem uma aliança que acha importantíssima para a governabilidade do País", disse. "Agora, problemas eventuais irão existir, já que é natural a luta por espaço entre os partidos." Vilela Filho também defendeu Barros. "Ele é nosso companheiro de melhor qualidade, principalmente pela sua competência", disse.


