Barros Filho e José Eduardo Ferraz garantem que vão depor à CPI
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 23 (AE) - Os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz comprometeram-se hoje a atender à convocação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado para depor na manhã de terça-feira (29). O compromisso dos empresários aconteceu um dia depois de a CPI pedir a ajuda à Polícia Federal (PF) para os localizar.
Barros Filho e Ferraz são acusados de desviar R$ 162,28 milhões dos R$ 222,62 milhões repassados às obras do Fórum trabalhista de São Paulo. De acordo com o presidente da comissão
Ramez Tebet (PMDB-MS), os depoimentos poderiam ser adiados, se continuassem frustradas as tentativas para os encontrar.
O relator da CPI, Paulo Souto (PFL-BA), informou que Barros Filho lhe telefonou pela manhã. Ele disse ao senador que comparecia normalmente ao escritório e que não entendia o porquê da dificuldade em o localizar. O empreiteiro tentou transferir o depoimento e o de Ferraz para o fim da tarde, mas Souto não concordou com a mudança.
Nos depoimentos, a CPI deve apresentar documentos que comprovem o desvio e a lavagem do dinheiro distribuída na conta de várias empresas.
Dessas empresas, quatro são do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Ele recebeu 19 cheques da Incal, de Barros Filho, no valor de R$ 5,11 milhões.
Para Estevão, essa operação descoberta pela CPI "é inverossímel". Segundo ele, Barros Filho é que tem de explicar o ocorrido e não ele. "Minhas empresas não estão sob investigação", alegou. Sobre o que teria acontecido com esse dinheiro - escriturado como remessa para o exterior aos cuidados da empresa panamenha Real State Investiments, mas que acabou depositado nas contas de empresas nacionais - Estevão disse: "Essa indagação é a mesma coisa de você me perguntar a cor da parede de seu quarto; eu não sei."
O senador disse estar à disposição da CPI, mas que as informações que fornecer no depoimento estarão relacionadas às duas obras reaqlizadas pelas empresas dele para o Poder Judiciário: a construção do Fórum de Paranoá e a sede do Ministério Público do Distrito Federal, conforme informou na carta que encaminhou à comissão no dia 14.


