Brasília, 11 (AE) - O ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros e o ex-presidente do BNDES, André Lara Resende, enviaram no dia 3 de junho, ao Tribunal de Contas da União, uma carta desmentindo texto de reportagem publicada pela "Folha de S. Paulo" no dia 2, no qual, segundo transcrição de telefonema gravado, os dois teriam se referido ao TCU como sendo "uma mutreta". A carta foi divulgada hoje pelo tribunal. Nela, as duas autoridades solicitam que os ministros do TCU considerem como evidência as transcrições na íntegra dos diálogos.
Com essa leitura, segundo os remetentes, ficaria claro que ambos estariam conversando sobre a participação das seguradoras do Banco do Brasil no leilão de privatização da Tele Norte Leste e criticando a solicitação de financiamento do BNDES feita pelas mesmas. "Como se lê na transcrição, os signatários manifestavam a sua compreensão de que o grupo de compradores, integrado por aquela seguradora, teria chapa branca e que a sua ação compradora, com financiamento do BNDES, ainda mais desenvolvida sob um discurso privatista, seria - na expressão que surge no diálogo - uma mutreta.
Barros e Resende afirmam ainda que embora sejam titulares da prerrogativa constitucional à preservação da sua intimidade e não reconheçam a validade jurídica das gravações criminosas, não poderiam deixar de dar as explicações ao TCU. Destacaram ainda na carta "revolta e inconformismo com uma acusação que não condiz com a verdade".

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