Barros de Castro diz que renda per capita se distancia da americana
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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 17 (AE) - O economista Antônio Barros de Castro, especialista em política industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alertou hoje que a renda per capita do Brasil, depois de se aproximar dos Estados Unidos em 1980, recuou, em 1998, a uma posição equivalente a 22% da renda per capita americana. Castro usou estudo do economista inglês Angus Maddison para mostrar o fenômeno, em palestra de encerramento do XIII Congresso Brasileiro de Economistas e VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe, no Hotel Glória, na zona sul.
O estudo mostrado por Barros de Castro comparou a Argentina e o Brasil com os Estados Unidos, a partir de 1910. Naquele ano, a renda per capita da Argentina correspondia a 77%, e a do Brasil, a 16% da renda per capita americana. Em 1980, a renda per capita brasileira chegou a 29% da riqueza produzida pelos Estados Unidos, dividida pela sua população. "Houve 20 milhões de pobres que deixaram de ser pobres na década de 70", afirmou o economista, que citou estudo feito pelos economistas Roberto Cavalcanti e Sônia Rocha.
Em 1998, este índice havia caído para 22%. De acordo com o especialista em política industrial, o recuo foi consequência das altas taxas de inflação no Brasil, entre 1980 e 1994, e, a partir daí, dos "acidentes" que a economia brasileira sofreu com choques externos, a partir da crise mexicana.
O aumento da renda per capita relativa entre 1910 e 1980 no País foi fruto da industrialização, mas o fenômeno não melhora a distribuição interna de renda, segundo Barros de Castro. Ele alertou para a necessidade de ação de instituições governamentais e regras para aperfeiçoar a distribuição e que sirvam como moderadoras da economia de mercado.


