Barros admite participar do governo Covas
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 28 (AE) - O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros admitiu hoje que poderá vir a participar do governo Mário Covas. De imediato, ele será o presidente do Fórum São Paulo - século XXI, criado pela Assembléia Legislativa para discutir fórmulas para a retomada do crescimento e do emprego no Estado. Trata-se de uma iniciativa do PSDB para estimular o desenvolvimento da produção industrial paulista.
Mendonça de Barros informou que já esteve reunido com o secretário de Ciência e Tecnologia, José Aníbal, colocando-se à disposição para trabalhar nas medidas que precisam ser tomadas em busca de uma solução para essa questão. "Por enquanto, estou restrito a essa fase de discussões", disse Mendonça de Barros, admitindo que "esse desafio" tem duas dimensões: uma executiva e outra, "de uma inteligência econômica", a qual estaria trabalhando agora.
O ex-ministro esteve reunido, nesta tarde, com o presidente da Assembléia paulista, Vanderlei Macris (PSDB). Desde que deixou o ministério, Mendonça de Barros, que hoje ocupa uma das vice-presidências nacionais do PSDB, tem se apresentado como um formulador econômico que representa o ideário dos tucanos. "Minha função no partido é justamente pensar a questão econômica brasileira pensando no futuro", disse, justificando sua disposição de trabalhar em São Paulo pelo fato de que o Estado é e continuará sendo um dos mais afetados pela reestruturação econômica do País e do mundo.
Sobre suas expectativas em relação a uma possível reforma do ministério do presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendonça de Barros respondeu: "O presidente conhece minhas opiniões", referindo-se a sua postura de oposição à equipe econômica e em favor da chamada política "desenvolvimentista". Segundo ele, não existe uma "contradição" entre a posição do PSDB e do governo na defesa da estabilidade econômica, embora tenho admitido discordâncias sobre "medidas pontuais".
Ministério Público - Mendonça de Barros considera as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro "uma fragilidade gritante". Segundo ele, não há fundamentação jurídica para as quatro acusações apresentadas, além de os procuradores demonstrarem "parcialidade" em seu parecer. Amanhã ou quarta-feira, o ex-ministro apresentará, em Brasília, um documento respondendo a cada uma das acusações e questionando a parcialidade dos procuradores.
"Se o que se sabe hoje se soubesse em novembro passado, eu não teria saído do ministério", afirmou o ex-ministro, explicando que foram necessários quase sete meses para que houvesse uma compreensão melhor de sua participação na privatização do Sistema Telebrás. Mesmo assim, Mendonça de Barros afirma não pensar na possibilidade de voltar a fazer parte do ministério do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Estou satisfeito com meu emprego atual." Mendonça de Barros disse ter ficado contente com a apresentação formal de uma denúncia contra ele. "Recebi (o processo) como uma das melhores notícias dos últimos seis meses. Desde o início, tenho sido objeto de castelos de ventos de acusações e coloquei minha posição clara de que não fiz nada de errado", afirmou o ex-ministro, explicando que, com a decisão do Ministério Público
terá a oportunidade de responder. "A opinião pública merece essa resposta."


