Barriga pode causar disfunção erétil
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Rio de Janeiro - Alerta para homens que estão acima do peso: a ''barriguinha'' não é problema só de estética, mas também fator de risco para a disfunção erétil. A grande questão, segundo estudos apresentados durante o 13º Congresso Internacional de Endocrinologia (ICE 2008), na última semana, no Rio de Janeiro, é que a gordura abdominal pode afetar a secreção de testosterona, que, por sua vez, se estiver em níveis baixos, pode acarretar outras doenças relacionadas com a síndrome metabólica, como hipertensão e diabetes.
''A disfunção erétil pode ser a primeira manifestação de outras comorbidades, muitas delas reversíveis, como a obesidade, mas que também podem matar, como doenças cardiovasculares'', alerta o endocrinologista Farid Saad, diretor médico de saúde masculina da Bayer Schering Pharma na Alemanha.
Saad apresentou resultados de um estudo clínico que mostra a relação entre os níveis de testosterona e as taxas de proteína C-reativa, fator inflamatório ligado ao aumento do risco cardiovascular. A pesquisa acompanhou 117 pacientes com Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) que receberam durante 15 meses terapia hormonal e os resultados mostram que, conforme os níveis de testosterona foram normalizados, as taxas de proteína C-reativa no sangue também foram reduzindo. No início do estudo, as taxas da proteína eram, em média, de 3,5 miligramas por decilitro de sangue, e baixaram para 2 miligramas, em média, após a reposição hormonal.
O endocrinologista Ricardo Meirelles, vice-presidente do departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a tanto a obesidade pode causar a deficiência de testosterona, quanto o contrário - a deficiência favorecer a obesidade. É por isso que, mesmo que o homem esteja obeso por conta de alimentação e estilo de vida, o fato de normalizar a testosterona melhora a situação endócrina e facilita a perda de peso.
Meirelles explica que o homem com deficiência de testosterona perde a energia, a vontade de fazer as coisas, a iniciativa e a concentração, além da diminuição da libido e da dificuldade de ereção. ''Há uma perda progressiva de testosterona com o envelhecimento, a partir dos 30 anos de idade, o que não chega a ser um problema até os 50'', avalia.
Considerado o hormônio masculino mais importante, a testosterona também tem relação com outras doenças graves. Segundo Saad, pesquisas mostram que pacientes com pressão arterial normal, têm níveis maiores de testosterona, e que a presença de disfunção erétil é 2,4 vezes maior quando o índice de massa corpórea (IMC) é maior que 30 ou quando o paciente tem diabetes. ''A resistência à insulina é muito prevalente no paciente com disfunção erétil'', avalia. Segundo ele, quanto mais componentes da síndrome metabólica presentes no homem - obesidade abdominal, hipertensão, diabetes, alteração de colesterol - maior a prevalência de disfunção erétil.
* A jornalista viajou ao Rio de Janeiro à convite da Bayer Schering Pharma
O QUE É TESTOSTERONA
É o hormônio masculino mais importante, produzido pelos testículos e pelas glândulas supra-renais. É responsável por características sexuais como engrossamento da voz, crescimento de pelos e barba, e pelo desenvolvimento da próstata e dos órgãos genitais
DEFICIÊNCIA
A deficiência de testosterona é chamada de Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou hipogonadismo. Pode ser causada pelo envelhecimento, mas também pela obesidade, e outras doenças relacionadas com a Síndrome Metabólica
NÍVEL IDEAL
- O nível ideal de testosterona total é de 300 ng/dL (nanogramas por decilitro de sangue).
- Taxas entre 200 e 300 ng/dL indicam necessidade de investigação mais profunda
- Se o homem apresenta menos de 200 ng/dL está com deficiência hormonal e precisa de tratamento
SINTOMAS DA DEFICIÊNCIA
Diminuição da libido, dificuldade de ereção, cansaço, estado depressivo, desânimo, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de força muscular e sinais de osteoporose. Há também uma relação com o aumento do risco de doença cardiovascular e obesidade
NÚMEROS
- 20% a 25% dos homens sentem os efeitos da perda de testosterona depois dos 50 anos de idade
- Acima dos 60 anos, este índice sobe para 1/3 dos homens
- A partir dos 80 anos, 80% sentem sintomas da deficiência de testosterona
COMO TRATAR
Com terapia hormonal, que tem diferentes opções e formas de administração. Uma das formas mais modernas é a injetável, que pode ser feita com quatro aplicações por ano
Fonte: Ricardo Meirelles, endocrinologista e vice-presidente do departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)


