Barriga aumentada pode sinalizar doença
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domingo, 04 de junho de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Não é uma questão de estética, mas de saúde. Uma circunferência abdominal aumentada, a famosa ''barriguinha'', é um dos indicativos mais fortes da síndrome metabólica, conjunto de fatores que pode levar às doenças cardiovasculares, ao diabetes e à morte. O alerta é do professor de metabolismo nutricional e pesquisador da Faculdade de Medicina da Unesp, Roberto Carlos Burini. Ele esteve em Londrina, na última semana, durante o 1º Congresso Brasileiro de Metabolismo, Nutrição e Exercício, evento promovido pelas universidades estaduais de Londrina (UEL) e de Maringá (UEM).
A síndrome metabólica é caracterizada no indivíduo que tem pelo menos três dos seguintes fatores: gordura abdominal, hipertensão, dislipidemia (alteração de colesterol e triglicérides), alta taxa de glicose, problemas cardiovasculares e estado pró-inflamatório. A doença é um fator de risco para o desenvolvimento da diabetes tipo II pelo excesso de glicose no sangue e resistência à insulina.
A gordura abdominal, segundo Burini, é o fator de maior risco. ''Aumenta em duas vezes as chances do indivíduo apresentar a síndrome metabólica'', ressalta. Por isso, hoje, alguns especialistas consideram a circunferência abdominal aumentada como ponto de partida para o diagnóstico da doença e é considerado portador de síndrome metabólica aquele que tem a gordura abdominal mais dois dos fatores citados acima.
Pelo critério americano, de 2001, o adotado no Brasil, uma circunferência abdominal maior que 102 cm em homens e 88 cm em mulheres já indica problemas. O padrão europeu, de 2004, é ainda mais rigoroso: 94 cm para homens e 80 cm para mulheres.
Já os problemas com o HDL, o ''bom colesterol'', começam quando ele está abaixo de 40 mg/dl em homens e de 50 mg/dl em mulheres. A taxa limite de triglicérides é de 150 mg/l, da glicemia (em jejum) é de até 100 mg/dl e da pressão arterial é de 130/85. A preocupação maior, segundo Burini, deve ser com a obesidade abdominal, seguida do HDL alterado e da hipertensão.
Burini explica que a somatória de todos esses fatores levam a uma maior chance de eventos cardiovasculares, que hoje são responsáveis por 38% das mortes em todo o mundo. ''Mas pode chegar a ser responsável por 75% das mortes nos próximos 10 anos. Por isso é preciso se preocupar'', alerta. A síndrome metabólica aumenta em quatro vezes os riscos de eventos cardiovasculares e três vezes o risco de desenvolver diabetes.
Não há um único medicamento indicado para tratar a síndrome metabólica, apenas remédios que tratam cada um dos fatores relacionados à doença. Mesmo assim, há ressalvas, pois substâncias que melhoram um fator podem piorar outro, além de trazer efeitos colaterais. Segundo o médico, um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e prática de exercícios físicos, é a melhor forma de combater e prevenir a doença. ''Não tem contra-indicação, é barata e ao alcance de todos'', afirma.


