Barreiras arquitetônicas no meio do caminho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Apesar das experiências realizadas em algumas capitais brasileiras, os portadores de deficiência física ainda enfrentam barreiras arquitetônicas e dificuldades de mobilidade. É o que mostra pesquisa do Ministério das Cidades que ainda está sendo tabulada e que será apresentada hoje, Dia Internacional de Portadores de Deficiência. Para chegar ao resultado final, foram analisadas experiências de 437 municípios com população superior a 60 mil habitantes.
Entre as conclusões da pesquisa, aparecem dados que demonstram que quase metade da frota de ônibus do Brasil está concentrada em apenas 218 municípios brasileiros, um total de 48,2 mil veículos que transportam diariamente a população urbana. Destes, 2,2 mil possibilitam o embarque de passageiro usuários de cadeira de rodas, o que corresponde a apenas 5% da frota. A pesquisa mostra ainda que 40 cidades possuem embarque no ônibus no mesmo nível da plataforma, 50 cidades têm ônibus com elevador e 49 têm serviço porta-a-porta, buscando a pessoa em casa.
Dos 218 municípios analisados, 65 têm algum tipo de atendimento aos portadores de deficiência e atendem 7 mil portadores usuários de cadeira de rodas por dia. Entretanto, os mesmos municípios deixam de atender cerca de 4,2 mil pessoas que necessitam destes mesmos serviços. O levantamento constatou que 34 cidades têm semáforo com apito sonoro, para portador de deficiência visual; 193 cidades fizeram rebaixamente nas vias públicas, em áreas centrais; 60% dos municípios criaram um departamento ou têm técnicos que cuidam dessa área de acessibilidade urbana.
Conforme a pesquisa, Curitiba está entre as dez cidades brasileiras com experiências inovadoras de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais no trânsito, transporte coletivo e em prédios públicos. Foram citadas experiências como a colocação de rampas em terminais de ônibus facilitando a vida de deficientes físicos e visuais; semáforos sonoros para deficientes visuais; guias rebaixadas para auxiliar o transporte de cadeirantes, mulheres grávidas, mães com bebês em carrinhos; elevadores em tubos de ônibus; banheiros em locais públicos adaptados para cadeirantes.
''Sabemos que Curitiba está bem adiantada em relação às demais cidades brasileiras, mas ainda há muito a ser feito. Até mesmo o que já foi feito precisa de manutenção'', alerta Mauro Nardini, presidente da Associação de Deficientes Físicos do Paraná (ADFP).
Nardini observa que muitos elevadores de tubos de ônibus estão ultrapassados e precisam ser substituídos. Guias rebaixadas estão danificadas no centro de Curitiba pelo transporte indevido de carros. Entretanto, o maior problema continua sendo o acesso dos deficientes nos bairros da periferia de Curitiba.


