Barreiras ameaçam acordo de livre comércio, dizem empresários
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 26 (AE) - Empresários brasileiros consideram que as medidas protecionistas que a Argentina está adotando ou poderá adotar sobre as importações ameaçam o Acordo de Livre Comércio do Países do Mercosul. A saída para resolver esse impasse comercial, argumentam, seria a negociação entre os representantes dos setores privados da Argentina e do Brasil envolvidos na questão. "Essas medidas ameaçam o Acordo de Livre Comércio", afirma o diretor de Mercosul do Departamento de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Derex-Fiesp)
Mário Mugnaini.
O vice-presidente da Associação de Empresas Brasileiras Para Integração do Mercosul (Adebim), Michel Alaby, diz que a atitude do governo argentino arranhou a imagem externa do Mercosul e provocou insegurança nos empresários que integram esse bloco comercial.
"Até os mais otimistas, como eu, começam a ter dúvidas sobre a continuidade do Mercosul", afirma Alaby. Nos seus cálculos, toda integração comercial estaria concluída no ano 2006. Mas, essas disputas poderão retardar o processo.
Aço, automóveis, papel, calçados e têxteis, que são alvos das restrições comerciais, respondem por cerca de 40% do comércio desse bloco. Entre 1990 e 1998, as transações comerciais entre os países do Mercosul deram um salto. No início da década, elas movimentavam anualmente US$ 3,6 bilhões. No ano passado, as transações somaram US$ 18,5 bilhões, com aumento de 413%.
Para solucionar esse impasse, o diretor do Derex diz que pretende orientar os setores da indústria brasileira envolvidos para que entrem em entendimentos com os representantes da indústria da Argentina. "Vamos orientar a ação junto aos congêneres argentinos para saber quais são as razões, se teremos de aceitar ou não e propor a não aplicação das medidas."
Na avaliação do vice-presidente da Adebim, o que está faltando para os empresários dos dois países é sentar-se à mesa na tentativa de chegar a um denominador comum. Alaby diz que o momento não deve ser de retaliações e é preciso discutir e chegar a uma proposta.
Já para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abit), Paulo Skaf, setor que recentemente foi alvo de imposição de cotas por parte dos argentinos, o problema agora está nas mãos do governo brasileiro. Skaf explica que, no caso dos produtos têxteis, o governo brasileiro poderá convocar o Tribunal de Arbitragem do Mercosul ou pedir a consulta da Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que a imposição de salvaguardas fere o Tratado de Assunção.


