Barragens se rompem e casas são atingidas em Brumadinho
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sábado, 26 de janeiro de 2019
Mariana Zylberkan, João Pedro Pitombo e Thaiza Pauluze <br> Folhapress 
São Paulo e Salvador - Três barragens de um mesmo complexo da mineradora Vale se romperam na manhã desta sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade da Grande Belo Horizonte. Os rejeitos atingiram uma área administrativa da empresa, onde havia funcionários, além da comunidade Vila Ferteco. Sete mortes foram confirmadas. Em nota, a Vale não descarta que pode haver mais vítimas, mas ainda não há informações sobre mortos. O Corpo de Bombeiros estima 150 desaparecidos e informou que 182 pessoas foram resgatadas com vida.
Segundo Valdir de Castro Oliveira, professor titular da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que vive em Brumadinho, a comunidade rural Vila Ferteco tem cerca de 200 pessoas. Já a região próxima às barragens tem em torno de mil moradores, segundo a empresária mineira Natália Farina, 30. Ela, que estava trabalhando no centro de Brumadinho no momento do incidente, disse que não houve alerta antes do rompimento por lá, e que a população buscou abrigo em partes altas da cidade.
O biólogo Luiz Guilherme Fraga e Silva, 27, se salvou "por uns 30 segundos" de ser levado pelos rejeitos. Mineiro de Belo Horizonte, ele fazia um trabalho de campo na cidade, tirando fotos da comunidade, quando viu um tsunami de lama vindo em direção à ponte em que estava. "Saiu varrendo tudo e eu fui correndo para um trevo próximo. Vi todo mundo saindo gritando das casas e a lama levando os fios de postes de luz, tudo caindo", contou.
O Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina e localizado no município, foi esvaziado por medida de segurança por causa do rompimento e não abrirá nem no sábado (26) nem no domingo (27).
O rompimento foi na região do córrego do Feijão, na altura do km 50 da rodovia MG-040. As barragens tinham volume de 12,7 milhão de m³ de rejeito de mineração. A de Mariana, que se rompeu há três anos, tinha 50 milhões de m³ de rejeitos.
A Vale informou que ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. De acordo com a site da companhia, a Barragem VI - córrego do Feijão foi construída em 1991. De acordo com o governo de Minas Gerais, uma força-tarefa do Estado foi criada para acompanhar e tomar as primeiras medidas.
Em entrevista coletiva, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, lamentou o ocorrido e afirmou que a tragédia em Brumadinho seria menor do ponto de vista ambiental do que a ocorrida em Mariana, em 2015. Já do ponto de vista de perdas humanas, Brumadinho deve superar a ocorrida há cerca de três anos.
Ele explicou que o rejeito vazado no acidente é menos úmido que o de Mariana (MG)e, portanto, teria menos capacidade de locomoção pelos rios e encostas da região. "O dano do ponto de vista ambiental é muito menor [que Mariana]. Mas a tragédia humana deve ser maior", afirmou.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em breve pronunciamento, que vai sobrevoar a região atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho junto do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para avaliar os estragos.
TRAGÉDIA DE MARIANA (MG)
Há três anos, em Bento Rodrigues, vilarejo de Mariana, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco se rompeu causando a maior catástrofe ambiental do País. A empresa pertence também à Vale, além da BHP Billiton.
O acidente em 5 de novembro de 2015 deixou 19 mortos e dezenas de desabrigados. A lama com rejeito de minério se espalhou por 650 km. O processo criminal, no entanto, ainda se arrasta sem decisão.
Na estimativa da Fundação Renova, criada pelas mineradoras para fazer a recuperação social e ambiental após o desastre, a construção do novo Bento Rodrigues deve demorar pelo menos 22 meses.
Em paralelo, a Samarco já tenta obter nova licença operacional e resolver problemas estruturais internos, além de encontrar soluções de segurança para os rejeitos, a fim de voltar a minerar.


