Curitiba- A barragem da Usina de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, em Capitão Leônidas Marques, a cerca de 600 km de Curitiba, está com rachaduras e vazamentos. A informação foi confirmada ontem pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), durante reunião semanal com o seu secretariado. ''Mais cedo ou mais tarde a usina vai ter que ser esvaziada e a barragem vai ter que ser refeita'', afirmou.
Desde que foi inaugurada, em 1999, ela já apresentava rachaduras, que exigem monitoramento 24 horas, informou o governador. ''A usina foi paga à empreiteira e aceita pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) rachada'', acusou. O presidente da Copel na época, Ingo Hubert, não foi encontrado.
A usina foi construída em três anos pela DM Construtora, de Curitiba. ''A Copel recebeu e atestou que tecnicamente estava perfeita'', afirmou o diretor administrativo-jurídico, Hilton Zattoni. ''Se houvesse problema dessa magnitude teria nos comunicado, mas também soubemos ontem como todo mundo.''
A Usina de Salto Caxias tem capacidade de 1.240 megawatts. Sua barragem, de concreto compactado a rolo, tem 67 metros de altura, 1.083 de comprimento. O lago ocupa 131 quilômetros quadrados e foi construído sobre 1.108 propriedades desapropriadas. No total, a Copel investiu R$ 1 bilhão no projeto.
O prefeito de Capitão Leônidas Marques, Cláudio Quadri (PMDB), disse que a população ribeirinha ficou ''apavorada'' com o risco. E ele ficou preocupado com o possível esvaziamento do lago, pois a usina contribui com aproximadamente 25% da arrecadação do município. A direção da Copel não se pronunciou.
Ainda durante a reunião com o secretariado, Requião anunciou ''uma vitória'' no embate que a Copel vem travando com a multinacional do setor energético El Paso. Um laudo pericial da Justiça constatou as denúncias feitas pelo governdo do Paraná de que os equipamentos colocados pela empresa norte-americana na Usina Termelétrica de Araucária - UEG Araucária - não eram compatíveis com o sistema de produção de energia adotado do Brasil e oferecia riscos. Esse laudo vai embasar uma ação que a Copel move contra a UEG Araucária que corre na 3 Vara de Fazenda Pública, em Curitiba.(Colaborou Vânia Casado)

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