Marcos Zanatta
De Maringá
A Prefeitura de Maringá está enfrentando dificuldades para combater o aparecimento de barracos e pontos de favela na periferia da cidade. As dificuldades financeiras e o excesso de loteamentos estão empurrando famílias de baixa renda para os limites da área urbana. Sem alternativas, elas compram um lote e constroem barracos.
Maringá não tem favelas há mais de 10 anos, quando o então prefeito Said Ferreira erradicou os barracos e transferiu as famílias para conjuntos populares. ‘‘Não tenho emprego e o salário da minha mulher só dá para pagar a prestação do terreno’’, diz Elisio Gofilho da Silva, que tem quatro filhos menores.
Junto com outras 20 famílias, aproximadamente, ele comprou um terreno no Conjunto Tarumã 2, mas não consegue construir. A alternativa foi erguer um barraco. A mulher dele trabalha de doméstica, ganha R$ 120,00 por mês e paga cerca de R$ 80,00 de prestação do terreno. ‘‘Pelo menos estamos pagando o que é da gente’’, consola-se. Silva conta que está morando no barraco há sete meses. A fiscalização já pediu para ele sair, mas não tem para onde ir.
Situação mais crítica é a do aposentado João dos Santos Filho. Na semana passada ele deixou a casa que morava, na Vila Operária, e se mudou para um barraco de aproximadamente 25 metros quadrados, também no Tarumã 2. Com ele moram a mulher, quatro filhos, o sogro doente, a cunhada viúva e grávida de cinco meses com mais cinco filhos.
‘‘Entra aqui filho, veja a nossa situação. Estamos dormindo na terra’’, disse a mulher de Santos, Eva Moraes dos Santos. Ela disse que conseguiu ajuda para pagar a entrada do terreno, ganhou algumas telhas e placas de publicidade, e fez a ‘‘casa’’.
No Conjunto Cidade Alta, um homem que se identificou apenas como Bernardino, está morando com a mulher em uma barraca de lona. Ele conta que se mudou de Itaquiraí (MS) para Maringá, não conseguia mais pagar aluguel e decidiu comprar a casa e fazer o barraco. ‘‘Agora estou recebendo ajuda da igreja para construir’’, disse. Na frente do barraco ele mostra tijolos recuperados e telhas usadas.
A fiscalização da prefeitura nem sabia do barraco do Cidade Alta. ‘‘Vou mandar um fiscal agora mesmo lᒒ, disse o chefe do setor, Adalto Almir Brás. Ele admite que a prefeitura está com dificuldades para combater a proliferação de barracos, principalmente no Tarumã 2.
‘‘Convocamos os loteadores para nos ajudar, mas não temos muita alternativa porque se despeja os moradores a comunidade critica’’, diz. Brás explica que quando o barraco está em fundo de vale, a área é pública e o despejo é mais fácil. ‘‘Quando está em terreno particular não temos o que fazer’’, justifica.
O dono da loteadora do Tarumã 2, Adelino Bertoncelli, também alega que não pode fazer muita coisa para impedir o surgimento de barracos. ‘‘Recebi o pedido de ajuda da prefeitura, mas a única alternativa para mim é tentar tirar os compradores de lotes que estão inadimplentes’’, confessa.
Ele diz que pode até devolver o valor que a pessoa pagou, mas acha que a prefeitura também tem que agir. ‘‘Somos os maiores prejudicados junto com os moradores que estão construindo’’.Dificuldades financeiras e o excesso de loteamentos estão empurrando famílias de baixa renda para os limites da área urbana
James NegriniVIDA PRECÁRIANo Conjunto Cidade Alta morador fez uma barraca e espera ajuda da igreja para construir casaJames NegriniA família de João dos Santos Filho se mudou na semana passada para o barraco com nove crianças

mockup