Curitiba- Mirlei de Oliveira, 47 anos, conhecida em Curitiba como a ''Baronesa do Sexo'', negou, ontem, as acusações de extorsão, tráfico de drogas e de incentivo à prostituição, durante interrogatório conduzido pelo juiz da 7 Vara Criminal de Curitiba, Luiz Taro Oyama. Ela está presa desde o último sábado, no 9º Distrito Policial. Outras duas pessoas, presas acusadas de participar do suposto esquema de extorsão, não prestaram depoimento ontem.
''Não é nada verdadeiro'', repetiu Mirlei. Ela alega que as acusações são uma forma de represália de uma das ''garotas'' que trabalhou para ela e que acabou se casando com um de seus clientes um empresário norte-americano. ''Ela não quer mais que eu chegue perto dele, por isso, fez tudo isso para mim'', disse.
Mirlei é acusada de tentar extorquir R$ 4,5 mil do empresário. Segundo declarou ao juiz, esse valor seria a dívida da ex-garota de programa decorrente de passagens aéreas, corridas de táxi, despesas médicas etc. e que apenas cobrou esse dinheiro do empresário. Mirlei revelou que bancou a ida da garota de programa para os Estados Unidos, a pedido de seu cliente.
Mirlei tentou se desviar da acusação de aliciamento de mulheres para prostituição. Mas admitiu manter, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, ''um lugar para bebidas e encontros'', onde há oito quartos que são usados pelas ''garotas''. Mirlei chorou ao falar das agendas, cadernos de anotações e outros pertences que foram apreendidos pela polícia com mandado judicial. ''Tem muitos nomes de gente importante'', afirmou. Disse temer que essas informações caiam em mãos erradas.
A acusação mais séria, Mirlei fez contra o delegado titular do 1º DP, Silvan Rodney Pereira que teria recebido a denúncia da ex-garota de programa. Segundo ela, o policial teria feito uma batida, há cerca de 10 anos, na sua chácara, levando suas agendas e a teria extorquido para devolvê-las. O delegado, afirmou Mirlei, teria depois aberto uma ''casa'' semelhante à dela, levando, inclusive, sua gerente Iara para trabalhar com ele. Iara, que acompanhava o interrogatório, não poderá ser arrolada como testemunha de defesa.
O advogado de Mirlei, Marden Esper Maués, questionou o fato do material apreendido pela polícia não ter sido encaminhado ao Fórum Criminal, logo após a conclusão do inquérito como prevê o Código Penal. Afirmou que o delegado estaria sendo parcial.
Pereira, através da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, negou as acusações. Disse que não realizou a batida e que o inquérito foi conduzido por outro delegado. Sobre as provas, o delegado esclareceu que elas estão sendo encaminhadas ao cartório criminal, respeitando os trâmites normais.
Maués, que assumiu o caso na última terça-feira, disse que vai se inteirar do processo para depois decidir sobre um provável pedido de habeas corpus.

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