São Paulo, 22 (AE) - O secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, Walter Barelli, fez hoje uma severa crítica aos economistas do governo que colocam a discussão do salário mínimo apenas em termos de valores ou regionalização e esquecem do principal: o estabelecimento de uma política de rendas para o País.
"A cultura da inflação em nosso País gerou um grande malefício, fez com que a maioria dos economistas governamentais pensasse apenas em curto prazo", disse. E continuou: "Infelizmente a estabilização não mudou a cabeça desses economistas, pois eles continuam não olhando para a frente." No seu entender, é necessário que os economistas que definem a política econômica do País deixem de olhar apenas o hoje e o amanhã. "É preciso ter a consciência de que não se está num governo para ficar marcando passo, é preciso o estabelecimento de projetos e metas, é preciso olhar para a frente", reiterou.
O secretário citou que o salário mínimo brasileiro é um dos mais baixos do Mercosul, ficando abaixo até mesmo do Paraguai.
Outra crítica feita por Barelli é em relação ao fato de a discussão em torno do salário mínimo passar sempre pelo déficit da Previdência. "Na grande discussão da Previdência quebrar ou não, há uma grande chantagem contra os velhinhos e contra a pobreza." Barelli lembra que já sugeriu boas propostas para este setor, mas elas não foram implantadas. "Deixei o governo em 94, houve a reforma da Previdência, mas o problema continua." Ainda sobre o salário mínimo, Barelli lamentou "os próprios sindicalistas não brigam por ele, mas sim pelo piso, que é bem maior."
Na sua opinião, o mínimo se transformou em um instrumento de política. O secretário lembrou, também, que em São Paulo é mínima a parcela de quem ganha o mínimo. "Nem mesmo os trabalhadores de nossa frente de trabalho ganham isso, eles têm um salário mensal de R$ 150, mais uma cesta básica em torno de 35 reais."

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