Brasília, 12 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido do Senado, Jáder Barbalho (PA), responsável pela criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, disse hoje esperar ter o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, como primeiro convocado, quinta-feira (15), para que ele explique a posição do governo com relação a irregularidades verificadas no sistema financeiro nacional.
O líder citou, entre os "fatos graves que esperam esclarecimentos", a operação de socorro do BC aos bancos Marka e Fontecidan, por intermédio da aquisição de dólares abaixo da cotação do dia.
Segundo ele, o episódio tornou-se ainda mais grave diante da denúncia publicada esta semana pela revista "Veja", segundo a qual o dono do Marka, Alberto Cacciola, e de outros três bancos pagavam propina de US$ 125 mil, cada um deles, a um informante da cúpula do BC. "Fatos como esse tornam a CPI mais que nunca irreversível", defendeu. "Porque demonstram a relação prosmícua existente entre autoridades e as instituições financeiras." Para o líder, a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de mandar apurar a denúncia ajuda a consolidar a necessidade da CPI e esvazia a tese de que o presidente tinha interesse em tornar vazio os trabalhos.
Barbalho também vai propor aos peemedebistas da CPI que, além de Fraga, também convoquem para depor o ex-presidente do BC Francisco Lopes, e o ex e o atual diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch e Luiz Carlos Alvarez. Ele explicou que a convocação de outro ex-presidente, Gustavo Franco, vai depender do que disserem os antecessores dele no cargo sobre as irregularidades investigadas pela comissão. O líder deu por encerrada a insistência dos deputados em tornar a CPI mista.
Segundo ele, o deputado que quiser ajudar nos trabalhos "deve atravessar do salão verde para o azul e trazer fatos novos". "Não podemos admitir essa história de que o Senado é incapaz de fazer uma investigação sem suspeição", defendeu.
A CPI do Sistema Financeiro ou dos Bancos será instalada quarta-feira (14), às 10 horas. Barbalho encontra-se amanhã (13) com o relator da comissão, senador João Alberto Souza, e com os outro três representantes do partido na CPI para preparar um roteiro de trabalho. As oito denúncias relacionadas no requerimento de criação da comissão terão prioridade na pauta de trabalho. Entre elas está a de apurar a responsabilidade pelo vazamento de informações que propiciaram a diversos bancos "lucros exorbitantes, por ocasião da maxidesvalorização do real em janeiro", e os lucros obtidos por bancos estrangeiros em decorrência da aplicação majoritária dos recursos na aquisição de títulos públicos, "em detrimento da concessão de crédito aos setores produtivos da economia nacional".
A pauta estende-se ainda, entre outros pontos, à investigação da concessão de empréstimo do Banco do Brasil (BB) à Construtora Encol, quando a empresa estava quebrada, e a sonegação de impostos que estaria sendo praticada pelos bancos Citibank, J. P. Morgan, Deutsche Bank, Crédit Suisse, First Boston, Garantia e Crédit Commerical de France.

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